terça-feira, 9 de novembro de 2010

Leonard e Banda: "O som de um anjo torto e outros seres alados"

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Uma Noite na Taverna realmente tem sido um evento afortunado de talentos musicais que vêm se apresentando no evento desde seus primórdios. E Leonard é uma prova concisa e convicta de nossas palavras sobre isso. Ex-integrante da banda Anjo Torto, banda com a qual já se apresentou no evento, o músico, multi-instrumentista e poeta irá agraciar o público da Taverna nessa sexta-feira com uma prévia de seu disco solo "Um Anjo Torto e Outros Seres Alados”, que estará lançando em breve. O disco produzido por Ricardo Knupp, amigo de longa jornada de Leonard, terá participação de vários parceiros de estrada do músico.

O som de Leonard são referências de suas influências musicais que o acompanham desde o início de sua carreira, em que o artista mistura do Rock tradicional, Blues, Rock Progressivo a ritmos latinos e brasileiros. As composições são focadas em temas existencialistas e sociais, como é o caso de sua música de trabalho Bang Bang Blues, entre outras canções que farão parte de seu disco. Porém, o músico não descarta de seu repertório algumas canções românticas e poéticas, tendo ainda um destaque em seu disco para a releitura da canção Pavão Misterioso, de 1970, do cantor Ednardo.

Um Anjo Torto e Outros Seres Alados" está programado para um lançamento conjunto com um livro de poesias em pareceria com a escritora Silvana Zanchetti e um romance.
Enquanto termina o seu primeiro disco solo, Leonard vem se apresentado em shows de amigos, como ocorreu no último dia 6 de novembro, quando deu uma canja no show de Rodrigo Santos, integrante do Barão Vermelho, no Bar do Blues, em São Gonçalo. E também, como fará na Taverna, apresentado ao público uma prévia de seu excelente trabalho. Vale a pena conferir!

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Poesia de Michelle de Oliveira

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Michelle de Oliveira há muito faz parte do meio tavernista. Podemos dizer que a nossa ninfa poeta tavernista começou desde as edições de 2006, quando o evento acontecia nos extintos Jardins da FASG (Fundação de Artes de São Gonçalo) como espectadora, e após ser convidada pela primeira vez para recitar na Taverna, demonstrou talento e graça, passando a fazer parte do time de poetas tavernistas que levantam alto a bandeira do evento-movimento.

Michelle, além de poeta, é professora de português, espanhol (formada pela UERJ), dançarina e uma linda pessoa em graciosidade e simpatia. Já tendo se dedicado a várias outras vertentes da arte, hoje a poesia e a dança estão entalhadas em sua alma, é como o próprio ar que ela respira. Mas ninguém melhor do que ela mesma para falar de seu trabalho que mais uma vez estará sendo apresentado no evento Uma Noite na Taverna, no próximo dia 12 de novembro.

MICHELLE DE OLIVEIRA POR ELA MESMA


Recitando na Taverna de janeiro de 2010.

"Tive a iniciativa de escrever o meu primeiro poema aos 10 anos, quando houve um concurso de poesias na escola em que estudava. Fui classificada em 3º lugar. A partir daí, passei a escrever poesias. Como gostava de escrever e também das atividades relacionadas ao magistério, resolvi fazer a faculdade de Letras, o que me incentivou à leitura de escritores das literaturas brasileira e portuguesa, influenciando bastante na minha forma de escrever, principalmente após o contato com as obras de Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos e Cecília Meireles.

Quanto ao primeiro poeta citado, a influência deste se observa tanto na linguagem romântica, característica de algumas de minhas poesias, quanto na imagem da mulher, retratada algumas vezes como anjo e em outras com sensualidade. Em relação à Augusto dos Anjos, resgato de sua poesia o tédio e angústia da vida, presente em algumas de minhas poesias. Já em Cecília Meireles, recupera-se da poeta a musicalidade e as imagens sensoriais, assim como a leveza da linguagem. Assim, minha poesia se compõe de diferentes estilos, que variam de acordo com o tema selecionado.

Tive contato, ainda, com outros tipos de atividades artísticas, como a dança (dança de salão e do ventre) e já me apresentei com dança espanhola (flamenca) no curso de idiomas no qual leciono. Também já fiz um curso de desenho e pintura e pintei alguns quadros a óleo. Após, fiz curso de teatro, pois desejava além de ser professora, ser atriz. Cheguei a fazer apresentações em escolas com uma peça sobre um tema educativo quando era adolescente. Além disso, já me dediquei à música, ao estudo de partituras (música clássica e popular). Porém, dessas atividades artísticas, as que me dedico atualmente são a dança e a poesia."

POESIA

Na Taverna de janeiro de 2007.

Ínfimo sentimento

Na obscuridade de um sentimento
Vi uma violenta chama refletir em seus olhos
Por um momento

Astuciosa foi sua inesperada partida
Amigo da insensibilidade
É o que foste na vida

Numa paixão febril e delirante
Me envolveste nessa ilusão
Com seu jeito ardil e provocante

Antes, era como uma flor
Embevecida em um charco
Pois foste tormento e dor
Agora, que não sinto desespero
Nem contentamento
Despertas em mim
O mais ínfimo sentimento

Cálido desejo

O sangue verte das suas veias
Derramando um cálido desejo
E eu me aqueço na volúpia insana
Dos seus beijos

O seu corpo em chamas
Me deseja ardentemente
E eu ouço no silêncio
O seu sussurro clemente

Na sua pele, a lascívia
E o vigor
No meu coração, o ritmo fremente
Do descompasso do amor
Nossos corpos em vibração
Intensificando a lúbrica emoção

Do seu ser sinto
O ímpeto desejo que inebria
Ao unirem-se corpos e almas
Em perfeita sintonia

Gélido coração

O frio desta noite gélida
Invade a minha alma
Percorre as minhas veias
E como bisturi rasgando a carne
Perfura profundamente o coração

Esse amor, como um vampiro,
Sugou a minha essência
Bebendo a última gota
Do meu sangue
O espelho reflete apenas
A tristeza da minha face

Pois meus olhos estão fundos,
A minha boca, amarga
Desce pela garganta
O fel da minha boca,
Queimando a laringe
E desintegrando, como veneno,
Cada parte do meu corpo

Agora, de mim resta apenas
Os meus olhos fundos,
A minha boca amarga,
Um rosto triste
E um corpo sem alma

E para que ainda sinta a ludibriosa
Sensação de estar viva
Resta-me ainda um gélido coração
Tremendo de frio e solidão

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O "Caos Organizado" de Davi Vianna

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Davi Vianna é músico e artista plástico. Um talento excêntrico e despojado que vem buscando a longas resfolegadas e mergulhos profundos no mundo da arte o seu espaço merecido no rol dos grandes artistas. No evento Uma Noite na Taverna do dia 12 de novembro o jovem multi-artista irá apresentar um pouco do seu trabalho lisérgico e visionário.
Caos Organizado é uma exposição de desenhos livres com canetas retroprojetoras pretas e lápis de cor aquareláveis sobre papel tipo A3 ou A4, sem um tema inicial ou específico. Os contornos se sobrepõem ganhando e perdendo forma conforme são produzidos. Depois de pronto o mosaico, como o próprio artista denomina, os espaços em branco são preenchidos com lápis de cor, aleatoriamente, sem uma técnica específica. O resultado se mostra mais no final, de acordo com o observador. As imagens se formam utilizando noções de profundidade e perspectiva. Como vemos a seguir:

O Sol



O Elefante



O Gato


O Mundo

Entre essas obras o artista pretende mostrar vários outros trabalhos no estilo que compõem a exposição como: “A Tesoura”, “A Torre”, “O Carro”, “O Mago”, “A Criação de Eva”, “A Maçã”, entre muitos outros.

A exposição Caos Organizado estará no Uma Noite na Taverna, no dia 12 de novembro, a partir das 19 horas, no SESC São Gonçalo, com ENTRADA FRANCA!

Conheça também o trabalho do artista como músico:

http://www.myspace.com/davivianna

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lançamento do livro de poesia Tudo Que Morre é Consumado, de Romulo Narducci.

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No dia 12 de novembro, a partir das 19 horas, no evento Uma Noite na Taverna, o poeta Romulo Narducci estará lançando o seu segundo livro de poesia.
O livro reúne uma antologia de poemas produzidos pelo poeta desde que começou a escrever aos 14 anos de idade, influenciado primeiramente pela obra As Flores do Mal, de Charles Baudelaire. Com o tempo o poeta recebeu influências de diversos artistas do mal do século e de nomes consagrados da contracultura que fizeram parte da Beat Generation. Com isso, o poeta desenvolveu sua poesia com o mimetismo dos estilos que o influenciaram, que vêm reunidas da forma mais crua nesse volume.

Sobre a obra em questão, falou o poeta, amigo e companheiro de artes de Romulo, o bardo Rodrigo Santos em calorosa manifestação na comunidade do orkut de Uma Noite na Taverna:

"Bom, não é novidade para os integrantes desta comunidade que no próximo dia 12 de novembro o poeta Romulo Narducci estará lançando segundo livro de poesias, "Tudo que morre é consumado", no evento "Uma Noite na Taverna" em homenagem à Florbela Espanca.

Pois bem... Ser amigo de gigantes nos traz certos privilégios, e um deles foi o de poder ter em mãos ANTES de todos a referida obra.

"Tudo que morre é consumado" é um marco na poesia brasileira, e digo isso sem o menor comprometimento de amizade. Bem diagramado, bem FEITO, e com as excelentes poesias do Mestre Romulo Narducci, expoente máximo da poesia gonçalense - e brasileira.

A poesia brasileira sofreu um golpe muito pesado com a Semana de Arte Moderna, quando se instituiu um badauê generalizado, atribuindo o conceito de "arte" a qualquer produção. Os benefícios de inclusão social e quebra de paradigmas não são suficientes para compensar a erosão do Sublime, da beleza, no fazer poético.

De lá para cá, vários poetas se destacaram, a ferro e fogo. Mas tirando esses mestres de brilho próprio, muita merda foi - e É- produzida e chamada levianamente de poesia.

Romulo Narducci é um artesão da palavra, um poeta no sentido clássico - mesmo sabendo usar as benesses da liberdade formal, liberdade sem libertinagem literária, e seus poemas refletem a angústia e a dor emparelhadas com a delícia e o hedonismo em ser humano.

"Tudo que morre é consumado" foi pensado para ser um grande livro, e o é. Finca de vez a bandeira tavernista no cenário literário nacional, e nela tremula a flâmula do poeta Romulo Narducci.

Orgulhoso de, além de ser seu amigo, ser seu contemporâneo, só posso aplaudir: EVOÉ, ROMULO NARDUCCI!"



O livro Tudo Que Morre é Consumado estará sendo vendido em seu lançamento no evento Uma Noite na Taverna, por apenas R$ 20,00.

Curiosidades e informações sobre a obra:

www.tudoquemorre.blogspot.com

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma Noite na Taverna com a poesia de Florbela Espanca

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O evento Uma Noite na Taverna, no dia 12 de novembro, fará pela segunda vez (a primeira foi a terceira edição do evento) uma homenagem a uma belíssima poeta que desde sua época exerce influência e encantamento no meio artístico, e isso inclui o nome de vários artistas do movimento tavernista. A poeta portuguesa Florbela Espanca tem em sua obra uma poesia primorosa, com estilo inconfundível.
O evento, que já adiantamos, que esse não será o último do ano, visto que em dezembro teremos uma Taverna especial, está novamente em clima de festa. A edição passada, tivemos o lançamento do primeiro romance do poeta tavernista Rodrigo Santos, nessa edição será a hora e a vez do poeta Romulo Narducci, que está lançando o seu segundo livro de poesia Tudo Que Morre é Conmsumado, sendo vendido no local por R$ 20,00.
O evento terá a participação dos poetas tavernistas já veteranos Eduardo H Martins e Michelle de Oliveira, e dos estreantes no púlpito da Taverna, Nereis Ribeiro e Elaine Bastos.
A música ficará por conta de Leonard & Banda. João Leonard é integrante da banda de rock Anjo Torto e estará apresentando nessa Taverna uma prévia do seu trabalho solo que será lançado até o início de 2011. No local, ainda teremos a exposição de desenhos Caos Organizado, de Davi Vianna. O Uma Noite na Taverna acontecerá no dia 12 de novembro, no SESC São Gonçalo, a partir das 19 horas, com ENTRADA FRANCA.
A BELA FLOR DA ALMA

Filha de Antónia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca, a poeta Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, em 8 de dezembro de 1894, batizada como Flor Bela de Alma da Conceição. O seu pai herdou a profissão de sapateiro, mas passou a trabalhar como antiquário, negociante de cadedais, desenhista, pintor, fotógrafo e cinematografista. João Maria Espanca foi um dos introdutores do “vitascópio de Edison” em Portugal.

João Maria Espanca era casado com Mariana do Carmo Toscano, que não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antónia da Conceição Lobo, de condição muito humilde. Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos. Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa, e Mariana passou a ser madrinha de baptismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha em cartório só dezoito anos depois da morte dela.

Florbela Espanca começou, em 1899, a frequentar a escola primária em Vila Viçosa, quando compôs os seus primeiros versos assinando como Flor d’Alma da Conceição. Seus primeiros poemas datam dos anos 1903/1904. Os poemas “A Vida e a Morte”, o soneto em redondilha maior em homenagem ao irmão Apeles, e um poema escrito por ocasião do aniversário do pai, são os registros dessa época. Em 1907, Florbela Espanca escreveu o seu primeiro conto chamado “Mamã!” No ano seguinte, faleceu a sua mãe, Antónia, com apenas vinte e nove anos de idade.

Florbela se matriculou no Liceu Masculino André de Gouveia, em Évora, onde permaneceu com os seus estudos até 1912. Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário. Com o advento da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, os Espanca mudaram-se para Lisboa. Florbela Espanca teve que interromper os estudos, mas aproveitou o tempo para leituras de escritores como Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro e Almeida Garrett.

Em 1913, Florbela casou-se em Évora com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. O casal morou primeiro em Redondo. Porém, em 1915, instalou-se na casa dos Espanca em Évora, por causa das dificuldades financeiras. Em 1916, de volta a Redondo, a poetisa reuniu uma selecção da sua produção poética desde 1915, inaugurando assim o projeto Trocando Olhares. A coletânea de oitenta e cinco poemas e três contos serviu-lhe mais tarde como ponto de partida para suas futuras publicações, na época, as primeiras tentativas de promover as suas poesias falharam.

No mesmo ano, Florbela começou a colaborar como jornalista em Modas & Bordados (suplemento de O Século de Lisboa), em Notícias de Évora e em A Voz Pública, também evorense. A poetisa regressou de novo a esta cidade, em 1917. Completou o 11º ano do Curso Complementar de Letras e matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Florbela Espanca foi uma das 14 mulheres entre os trezentos e quarenta e sete alunos inscritos.


Um ano mais tarde a escritora sofreu as consequências de um aborto involuntário, que lhe teria infectado os ovários e os pulmões. Mudou-se para Quelfes (Olhão), onde apresentou os primeiros sinais sérios de neurose. Em 1919 saiu finalmente a sua primeira obra, Livro de Mágoas, antologia de poemas. A tiragem (de duzentos exemplares) esgotou-se rapidamente. No mesmo ano, sendo ainda casada, Florbela passou a se envolver com António José Marques Guimarães, alferes de Artilharia da Guarda Republicana. Em meados do ano de 1920, abandonou os estudos na faculdade do Direito. No ano seguinte, divorciou-se de Moutinho para casar-se com o seu amante. O casal passou, então, a residir no Porto, mas, no ano seguinte, transferiu-se para Lisboa, onde Guimarães se tornou chefe de gabinete do Ministro do Exército.

Em 1922, a 1 de Agosto, a recém fundada Seara Nova publicou o seu soneto “Prince charmant...”, dedicado a Raul Proença. Em Janeiro de 1923, veio a lume a sua segunda coletânea de sonetos, Livro de Sóror Saudade, edição paga pelo pai da poetisa. Para sobreviver, Florbela começou a dar aulas particulares de português.

Em 1925, após mais um aborto, divorciou-se pela segunda vez. Ainda em 1925, a poeta casou-se com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921 e com quem mantinha um romance desde 1924. O casamento aconteceu em Matosinhos, no Distrito do Porto, onde o casal passou a morar a partir de 1926. Em 1927, a autora principiou a sua colaboração no jornal D. Nuno de Vila Viçosa, dirigido por José Emídio Amaro. Naquele tempo não encontrava editor para a coletânea Charneca em Flor. Preparava também um volume de contos, provavelmente, O Dominó Preto, publicado postumamente apenas em 1982. Começou a traduzir romances para as editoras Civilização e Figueirinhas do Porto.

No mesmo ano, Apeles, o irmão de Florbela, faleceu num trágico acidente de avião. A sua morte foi para a poeta realmente muito dolorosa. Em homenagem ao seu irmão, Florbela Espanca escreveu o conjunto de contos de As Máscaras do Destino, volume publicado postumamente em 1931. Entretanto, em meio a crise de doença mental, tentou o suicídio pela primeira vez, em 1928.

Em 1930, Florbela começou a escrever o seu Diário do Último Ano, pubicado só em 1981. No dia 18 de Junho principiou a correspondência com Guido Battelli, professor italiano, visitante na Universidade de Coimbra, responsável pela publicação de Carneca em Flor, em 1931. Na época, a poetisa colaborou também no Portugal Feminino de Lisboa, e na revista Civilização e no Primeiro de Janeiro, ambos do Porto.

Florbela tentou o suicídio por duas vezes mais, em Outubro e Novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a poeta perdeu o resto da vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, em 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos.

A poeta teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado por seu irmão Apeles na hora do acidente. O corpo dela jaz, desde 17 de maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal.

BIBLIOGRAFIA

POESIA

- 1919 - Livro de Mágoas. Lisboa: Tipografia Maurício
- 1923 - Livro de Sóror Saudade. Lisboa: Tipografia A Americana.
- 1931 - Charneca em Flor. Coimbra: Livraria Gonçalves.
- 1931 ______________ (com 28 sonetos inéditos). Coimbra: Livraria Gonçalves.
- 1931 - Juvenília: versos inéditos de Florbela Espanca. Estudo crítico de Guido Battelli. Coimbra: Livraria Gonçalves.
- 1934 - Sonetos Completos (Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor, Reliquiae). Coimbra: Livraria Gonçalves.

PROSA

- 1931 - As Máscaras do Destino. Porto: Editora Marânus.
- 1981 - Diário do Último Ano. Prefácio de Natália Correia. Lisboa: Livraria Bertrand.
- 1982 - O Dominó Preto. Prefácio de Y. K. Centeno. Lisboa: Livraria Bertrand.

COLETÂNEAS

- 1985/86 - Obras Completas de Florbela Espanca. 8 vols. Edição de Rui Guedes. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
- 1994 - Trocando Olhares. Estudo introdutório, estabelecimento de textos e notas de Maria Lúcia Dal Farra. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda.

EPISTOLOGRAFIA

- 1931 - Cartas de Florbela Espanca (A Dona Júlia Alves e a Guido Battelli). Coimbra: Livraria Gonçalves.
- 1949 - Cartas de Florbela Espanca. Prefácio de Azinhal Abelho e José Emídio Amaro. Lisboa: Edição dos Autores.

TRADUÇÕES

- 1926 - Ilha azul, de Georges Thiery. Figueirinhas do Porto.
____ O segredo do marido, de M. Maryan. Biblioteca das Famílias.
- 1927 - O segredo de Solange, de M. Maryan. Biblioteca das Famílias.
____ Dona Quichota, de Georges de Peyrebrune. Biblioteca do Lar.
____ O romance da felicidade, de Jean Rameau Biblioteca do Lar.
____ O castelo dos noivos, de Claude Saint-Jean
____ Dois noivados, de Champol. Biblioteca do Lar.
____ O canto do cuco, de Jean Thiery. Biblioteca do Lar.
- 1929 - Mademoiselle de la Ferté (romance da actualidade) de Pierre Benoit. Série Amarela.
- 1932 - Máxima (romance da actualidade, de A. Palácio Váldes. Coleção de Hoje.

ALGUMAS REEDIÇÕES

- ESPANCA, Florbela. Poemas de Florbela Espanca. Edição preparada pó Maria Lúcia Dal Farra. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
_______. Sonetos Completos. 7ª ed. Prefácio de José Régio. Coimbra: Livraria Gonçalves, 1946.
_______. As Máscaras do Destino. 4ª ed. Prefácio de Agustina Besa Luís. Amadora: Bertrand Editora, 1982.
_______. Contos Completos. 2ª ed. Venda Nova: Bertrand Editora, 1995.
_______. Obras Completas de Florbela Espanca, Lisboa: Publicaçőes D. Quixote, 1992.
_______. Obras Completas – Poesia (1903 - 1917). Coleção Obras Completas de Florbela Espanca. Vol. I. Lisboa: Publicações D.Quixote, 1985.
_______. Poesia Completa. Prefácio, organizaçăo e notas de Rui Guedes. Coleção Autores de Língua Portuguesa – Poesia. Venda Nova: Bertrand Editora,1994.
_______. Sonetos. Prefácio de José Régio. Lisboa: Bertrand Editora, 1982.

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Evento: Sarau no Teatro, mais um evento de artes na cidade!

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No próximo domingo, no dia 24 de outubro, a partir das 19 horas, no Teatro Carequinha, em São Gonçalo, vai acontecer o Sarau no Teatro! Sim, mais um evento de artes fortelecendo a nossa cena!
Um dos idealizadores do projeto: o professor, contador de história e ator André Correia é um batalhador mais do que competente pela propagação da arte e cultura de nosso município. O evento reunirá no Teatro Carequinha, que fica dentro da Escola Municipal Ernani Farias, diversas vertentes da arte, como apresentação de poesia, música, standup comedy, dança e teatro.
Com certeza, esse evento será mais um orgulho para o crescimento da arte no município de São Gonçalo! Não deixem de comparecer, pois o fortalecimento de todo esse movimento que vem surgindo, depente tão somente da presença de vocês: o público! Segue a programação:

CLIQUE NA IMAGEM PARA MELHOR VISUALIZAR A PROGRAMAÇÃO!

Evoé!
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Evento: Poetas tavernistas recitam no Corujão de Poesia, em Niterói.

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No dia 11 de outubro, na véspera do feriado, aconteceu no Bar Conversa Fiada, em frente a praia de São Francisco, em Niterói, mais uma edição do evento de poesia e música Corujão da Poesia. Os poetas tavernistas Rodrigo Santos, Romulo Narducci e Eduardo H Martins foram prestigiar o evento que também surgido em São Gonçalo, é um dos mais conhecidos eventos de arte no Rio de Janeiro. Rodrigo e Romulo se inscreveram para subir ao palco e recitar suas poesias.
O evento foi idealizado pelo professor João Luis, acontecendo hoje em Niterói e no Leblon.

O poeta Rodrigo Santos foi o primeiro a se apresentar. Recitou abrindo com um belo poema de Ezra Pound chamado "Assim em Nínive", e apresentou mais dois poemas de sua autoria: Teocida e Falácias.

Após brindar o público com uma performance forte e concisa, Rodrigo Santos falou de seu romance recém-lançado, convidou a todos para conhecerem a Taverna e foi saudado com gritos de "evoé"por alguns dos presentes.

O poeta Romulo Narducci já foi um pouco mais objetivo, falou pouco sobre suas influências e sobre a Taverna.

Romulo Narducci recitou seus dois poemas autorais A Vida Dói e Senhores do Mundo. Com o segundo poema, não teve a simpatia de algumas pessoas que se encontravam presentes na platéia. Mas as demais aplaudiram bastante o poeta.

Foi sem dúvidas uma noite bem agradável, com muita gente bonita, apesar da cerveja a R$ 7,00... é, cerveja cara assim, parece até conversa fiada. No mais, João Luis e sua equipe estão de parabéns! Evoé, Corujão!

Fotos: Vitor Vogel.

http://www.sabiosabia.blogspot.com/

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domingo, 17 de outubro de 2010

Evento: Taverna em homenagem a Drummond com muita poesia, rebeldia e... magia!

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Antes de tudo, é para constar registrado nesse nosso sítio o momento histórico para o Uma Noite na Taverna: o lançamento do primeiro romance do poeta tavernista Rodrigo Santos! Sim, um marco para a literatura que nada contra a corrente de Potters, Luas Novas, Paulos Coelhos e tantos chicletes lançados pelas grandes e médias editoras, que simplesmante desprezam a literatura com "L" maiúsculo. Afinal, hoje o que é literatura para as majors? Mágoa, romance de Rodrigo Santos foi editado e publicado pelo próprio poeta, que de forma independente custeou a obra e lançou exclusivamente em sua própria casa: a Taverna! Universo umbigo à parte - já que falamos de um membro de nossa própria casa, e merecidamente - damos os parabéns por tão brava atitude! Evoé, Bardo!
Rodrigo Santos autografou o seu romance antes e durante o evento e no início falou ao público um pouco de sua obra, destacando as dificuldades de ser um escritor em um país de "não-leitores". No detalhe, recebendo o poeta Rômulo de Sousa para mais um livro autógrafado.

Os poetas tavernistas iniciaram as homenagens ao grandioso Carlos Drummond de Andrade, intercalando com gravações de poemas recitados na própria voz do homenageado.

Rodrigo Santos, Romulo Narducci e Pakkatto recitaram das obras mais conhecidas do poeta até as mais obscuras, como a poesia erótica que Drummond produzia às escuras, por conta de sua timidez. O bardo Rodrigo foi o primeiro a abrir as homenagens.

Em seguida, Pakkatto falou do seu grande mestre recitando com devoção as poesias de Drummond.

O poeta Romulo Narducci encerrou as homenagens, recitou poemas conhecidos com Poema de Sete Faces e o obscuro A Puta .

A jovem poeta Lisa Stér Cöy retornou à Taverna e além de mostrar todo o seu talento com a poesia.


Lisa falou também de seu novo projeto, o site "Letra Exótica" (de arte e literatura erótica e terror) que edita.


A bela e jovem poeta Jéssica Hall, debutou com sua poesia maldita na Taverna.


Com suas influências do Mal do Século a jovem tavernista Jéssica Hall esbanjou rebeldia, sensualidade e polêmica com seus textos. Um começo já com muito estilo.


E não parou por aí, ainda estava por vir o elterizante Rodrigo Vieira. O poeta que produz textos geniais, teve o público em suas mãos, recitou vibrou e celebrou recebendo muitos com aplausos e evoés da platéia.


E não poedríamos deixar de lembrar que, segundo o poeta tavernista Vieira: "Mim não conjuga verbo!"


Encerrando com suas poesias autorais Romulo Narducci foi o primeiro tavernista a se apresentar. O poeta aproveitou a oportunidade e anunciou o lançamento de seu segundo livro de poesia na Taverna de novembro. O público aplaudiu a notícia.

Em seguida, o poeta Pakkatto entrou em ação com sua voz reverberante, finalizando o recital tavernista.

Um dos pontos culminantes dessa edição de Uma Noite na Taverna ainda estava por vir, mais uma vez através da manifestação do teatro. A montagem Medéia, pela Cia Quarto de Teatro com a atriz Nicolle Longobardi no papel principal, foi anunciada pelo ator e diretor do grupoe teatral Reynaldo Dutra.


O público da Taverna, foi pegado de surpresa com a entrada magnífica dos atores. Um clima denso já se estabelecia entre os presentes que eram encaminhados para uma sala onde a esquete iria acontecer. Um show de interpretação foi contemplado por todos os que assistiram à Medéia. A montagem foi adaptada especialmente para o evento, de um trecho da peça Chumbo Grosso apresentada pela Cia Quarto de Teatro no teatro do SESC São Gonçalo, em setembro.






Com o final da apresentação de Nicolle Longobardi e Cia Quarto de Teatro, mais uma edição do Uma Noite na Taverna se encerra com louvor. Aos presentes, a lembrança de um evento magnífico. Até a próxima! Evoé!

Fotos: Rico de Souza.

Agradecimentos: A todo o público, ao SESC São Gonçalo e Cia Quarto de Teatro.

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