segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Evento Especial de 8 anos de Uma Noite na Taverna

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Rodrigo Santos e Romulo Narducci, brindando à 4ª edição (abril de 2004)
E já se passaram oito anos! E não foi fácil chegar até aqui. A primeira edição do Uma Noite na Taverna aconteceu no restaurante do SESC São Gonçalo no dia 16 de janeiro de 2004 reunindo uma média de 80 pessoas. Imagina: um evento de artes que tem a poesia como sua vertente principal e ainda de caráter mensal... em São Gonçalo?! Há oito anos atrás, quando Rodrigo Santos e Romulo Narducci preparavam a primeira edição do Uma Noite na Taverna tiveram que ouvir: “Vocês são malucos! Poesia em São Gonçalo? Não vai dar ninguém!” Sim, loucura, sonho, delírio, seja lá o que fosse, os poetas encararam o desafio. Hoje o Uma Noite na Taverna é referência de evento de artes na cidade de São Gonçalo.

É certo que foram muitas atribulações. Os poetas sempre tiveram dificuldades em conseguir apoio de empresários e até dos artistas mais antigos da cidade, que criaram uma certa distância dos tavernistas. Mas o fator fundamental que sempre deu forças para a perseverança e a continuidade da Taverna foi sem dúvidas o público. O que os poetas ouviram antes da primeira edição da Taverna "de que não iria dar ninguém", virou um bordão, uma piada interior que até hoje os poetas brincam usando essa frase antes de cada edição, pois o que aconteceu e sempre acontece é o contrário: o público sempre comparece! O evento costuma reunir desde sua estréia uma média de público que oscila entre 80 a 250 pessoas. E isso em São Gonçalo! Quanta loucura, não?


200 pessoas se espremem no restaurante do SESC para ouvir poesia (agosto/2004).
A imprensa local já nas primeiras edições do evento começou a se referir aos poetas do Uma Noite na Taverna com a alcunha de "poetas tavernistas", apelido que foi carinhosamente adotado pelos poetas. O termo em si já suscitava que algo maior do que um simples evento já estava para despontar. Poetas, músicos, artistas plásticos, atores e performers começaram a se agregar e o Uma Noite na Taverna começou a ganhar a vertente de "Movimento Tavernista",  um movimento artístico com estética e características de criação e concepção próprias.

O prenúncio já viria numa edição do extinto tablóide Nosso Jornal que havia publicado uma matéria um dia antes da estréia do evento elevando a Taverna como a promessa de um novo movimento artístico.

Primeira matéria publicada sobre o evento Uma Noite na Taverna.
A partir da segunda edição, sempre um poeta consagrado homenageado.
No evento, durante todos esses anos uma gama de artistas consagrados foram homenageados, entre eles Vinícius de Moraes, Álvares de Azevedo, Florbela Espanca, Charles Baudelaire, Chico Buarque, Fernando Pessoa, Gregório de Matos, Hilda Hilst, Manoel de Barros, Allen GinsbergAugusto dos Anjos, Charles Bukowisk,  foram alguns dos muitos poetas que tiveram seus versos recitados pelos tavernistas.

Um dos momentos mais célebres da história do evento foi quando o Uma Noite na Taverna homenageou o saudoso Imortal da ABL Antonio Olinto em julho de 2006, na edição que aconteceu nos Jardins da FASG (Fundação de Artes de São Gonçalo). O poeta e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, veio a São Gonçalo receber as homenagens e falar ao público da Taverna. Muito emocionado Antonio Olinto disse: ´"Eu fico feliz ao ver que existem artistas fazendo um evento como esse, assim eu vejo que não estou sozinho."


Antonio Olinto fala ao público da Taverna (julho/2006 - Jardins da FASG)

Encontro de gerações: os poetas Romulo Narducci, Antonio Olinto e Rodrigo Santos
Mas não é somente de homenagens que o Uma Noite na Taverna se faz. Dezenas de artistas autorais já passaram pela Taverna. Muitos, inclusive, se apresentaram publicamente pela primeira vez no evento. Entre poetas e músicos que estrearam na Taverna, muitos ainda encontram-se em atividade em vários eventos e shows por todo o estado do Rio de Janeiro e pelo país.  


Pakkatto, de trovador solitário e poeta convidado a hoje poeta residente da Taverna

Henrique Santos, ou melhor, Pakkatto, estava lá desde o início. Na verdade, desde antes do início. Foi ele que na reunião de pré-produção, uma semana antes da primeira edição, apareceu no apartamento onde morava Rodrigo Santos, onde também se encontrava o poeta Romulo Narducci, com um violão embaixo do braço e na outra mão uma garrafa de Ballantines. Foi o primeiro músico a tocar na Taverna. Sendo sempre um dos tavernistas mais frequentes, em 2010, com o crescimento da Taverna, Pakkatto passou a fazer parte do plantel dos poetas residentes.

Pakkatto, Romulo Narducci e Rodrigo Santos (Taverna de abril de 2011, varandão do SESC)

O poeta Eduardo Henrique Martins é um outro tavernista dos primórdios do evento que se agregou ao núcleo, realizando trabalhos de fotografia e criação de designer para a Taverna.


Eduardo H. Martins recitando nos 6 anos do Uma Noite na Taverna

Na música, dentre as bandas que mais se apresentaram no Uma Noite na Taverna, destaca-se a Expresso Lunar, foi a banda que mais abraçou o sentimento do movimento tavernista. Hoje a Expresso Lunar realiza intervenções poéticas em seus shows sempre com a participação de alguns poetas tavernistas. A Expresso Lunar também escolheu o Uma Noite na Taverna para lançar dois de seus videoclipes (Música de calçada e Estrelas tão modernas). O vocalista da banda, Leandro Ribeiro homenageou o Uma Noite na Taverna estampando em uma das paredes de sua petiscaria Stoner Pub, o símbolo do evento.

Expresso Lunar no aniversário de 6 anos do Uma Noite na Taverna

Leandro Ribeiro homenageia a Taverna em seu Pub, que fica no centro de São Gonçalo.

O evento, durante esses oito anos, aconteceu mensalmente em diversos lugares dentro de apenas duas instituições. O Uma Noite na Taverna começou em 2004 no SESC São Gonçalo (no restaurante) e em 2006, terminado o contrato com o SESC, passou a ter o apoio da Fundação de Artes de São Gonçalo (FASG) e passou a acontecer  nos Jardins da FASG e, após, no Centro Cultural Joaquim Lavoura (no gramado e na loninha).  De volta ao SESC, a Taverna recomeçou no Espaço Alternativo do SESC e somente após, passou para o varandão do SESC, onde é realizado até hoje.

Muitos foram os projetos paralelos que surgiram a partir do Uma Noite na Taverna. No ano passado, por exemplo, os poetas tavernistas realizaram uma verdadeira maratona participando de diversos eventos em escolas e também a ir para outros municípios participar de eventos como a FLUP (em Casimiro de Abreu) no qual uma trupe de poetas tavernistas (dentre eles Rodrigo Santos, Romulo Narducci, Pakkatto, Wenceslau Teodoro, Hannar Lorien, Janaína da Cunha e Rodrigo Vieira, se apresentaram junto dos artistas do Corujão da Poesia e do Um Brinde à Poesia), a reinauguração da Biblioteca Municipal de Niterói (no qual fizeram uma performance poética em homenagem ao Paris Café, sob a direção de Gutti Fraga com a participação do editor Erthal da Nitpress e da poeta Janaína da Cunha), da semana de Letras da FFP/UERJ São Gonçalo, fora o projeto Pátio Poesia, no qual os poetas Rodrigo Santos e Romulo Narducci levaram a poesia para uma escola do EJA. Em setembro, o Uma Noite na Taverna teve uma belíssima matéria de destaque no RJTV, da Rede Globo, através de entrevistas com os poetas e uma prévia do que acontece no evento. 

Tavernistas erguem a flâmula do Uma Noite na Taverna na FLUP (Casimiro de Abreu)

Reinauguração da Biblioteca Municipal de Niterói (os Tavernistas encenam o Paris Café)
 Tantas são as histórias, curiosidades, tristezas, alegrias, decepções, vitórias, realizações que poderíamos citar sobre esses 8 anos de Uma Noite na Taverna, que não haveria blog que coubesse. Mas uma coisa é certa, essa história não pára por aqui.

Romulo Narducci, Eduardo H. Martins, Rodrigo Santos e Pakkatto
Esperamos por todos vocês nesse sábado, no dia 14/01, às 17 horas em ponto, no SESC São gonçalo, para comemorarem conosco os 8 anos do Uma Noite na Taverna!

Poesia com Rodrigo Santos, Romulo Narducci, Pakkatto mais 20 poetas convidados. Música com Márcio de Castro e Banda; Tuca Marques e Xande McLeite. Contação teatral "Amarantes Os Mistérios nas Terras de Além Mar", com o grupo Quarto de Artes.

Evoé!

* Taverna Ominia Vincit *  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Evento: Uma Noite na Taverna de dezembro, foi para fechar o ano com chave de ouro!

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Fotos: Eduardo H. Martins

Em dezembro de 2011, o Uma Noite na Taverna homenageou o poeta Manoel de Barros, com um vídeo reportagem da Globo News - que contava a trajetória do artista e sobre seu processo de criação contado pelo próprio - e com o recital poético interpretado pelos tavernistas PakkattoRomulo Narducci e Rodrigo Santos (foto acima da direita para esquerda). Muitas pessoas apaixonadas pela obra de Manoel de Barros compareceram ao SESC São Gonçalo para celebrarem a sua belíssima poesia. A poesia das coisas simples cantadas com a beleza transcedental de um poeta magnífico que é.

O evento ainda contou com os poetas convidados Tiago de Barros, Luizinho Lima e Rinaldo Raposo Ribeiro (lançando seu livro de poesia Luz das Trevas). A música ficou por conta de Magno da Gaita atacando de trovador solitário empunhando sua gaita e seu violão e que contou com a participação do irreverente ator Reinaldo Baso.  

Os tavernistas iniciam o recital com os poemas de Manoel de Barros.

Rodrigo Santos

Pakkatto

Romulo Narducci
O poeta Rinaldo Raposo Ribeiro lançou o seu livro Luz das Trevas no evento.


O poeta falou um pouco de sua obra e ainda recitou os seus versos agradando ao público.



Em seguida, foi a vez do poeta Tiago de Barros (que se autodenomina ironicamente de "O Poeta Analfabeto") recitar pela primeira vez no evento os seus textos.





Era noite de estréia, Luizinho Lima, também recitou pela primeira vez no Uma Noite na Taverna. Sua carisma e seus versos simples o aproximaram do público e nos fez lembrar do grande poeta João Brunhosa.




Finalizando com a poesia, os tavernistas - como já é tradição - recitam seus poemas autorais. Romulo Narducci foi o primeiro e na sequência, Pakkatto e Rodrigo Santos.





Com alguns problemas técnicos Magno da Gaita foi ao palco e enquanto as coisas se ajeitavam aproveitou e recitou uma de suas poesias. Com tudo resolvido, não demorou para ganhar o público que o acompanhava repetindo os refrões de suas músicas e aplaudindo bastante.





E o que era bom só poderia melhorar! Magno convidou ao palco o ator e intérprete Reinaldo Baso para cantar com ele uma de suas músicas, que estará em seu CD que será lançado esse ano.





E assim, com o som do violão e da gaita de nosso amigo trovador, encerrou-se a última Taverna do ano de 2011... com chave de ouro!


Evoé!
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Expresso Lunar em pocket show no Stoner Pub e Petiscaria: Imperdível!

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Hoje, a banda Expresso Lunar vai se apresentar num pocket show, no Stoner Pub e Petiscaria, onde vários outros músicos da cidade de São Gonçalo irão se apresentar. O evento será uma confraternização entre artistas da cidade e público, a partir das 21 horas, com entrada Aberta e FRANCA!

Essa será a última apresentação da banda no ano.

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NOTA: Amanhã quem se apresentará no Stoner Pub e Petiscaria é o músico Rodrigo Santos (ex-Barão Vermelho) com seus convidados. Para maiores informações ligue para o telefone do Stoner: 2604-3334 e faça sua reserva!  
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Teatro: Amarante - Os Mistérios das Terras de Além Mar, estréia hoje no SESC São Gonçalo

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A peça ensaiada pelo Núcleo de Pesquisa Corpo em Cena, traz HOJE ao palco do SESC São Gonçalo os alunos do Curso de iniciação teatral Corpo Expressivo do ator e professor de teatro Reynaldo Dutra. É resultado de pesquisas e exercícios teatrais durante o ano de 2011.

A peça encenada pelo grupo será "AMARANTE - Os Mistérios das Terras de Além Mar", que contará trechos da história da cidade de São Gonçalo de forma inteligente, inovadora e bem humorada. Texto: André Correia. Direção artística: Reynaldo Dutra e Eros Nunes.

Maiores detalhes na divulgação acima! IMPERDÍVEL!

Ensaio do grupo para a peça que estréia hoje no SESC São Gonçalo.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entrevista com Manoel de Barros da Globo News será exibida na Taverna

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Quem chegar cedo ao evento de hoje será presenteado com uma entrevista com o poeta Manoel de Barros realizada pela Globo News.

O programa fora gravado há alguns anos na casa do poeta em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde vive atualmente com seus 93 anos. Manoel de Barros fala sobre criação artística, inspiração para escrever seus versos, suas memórias de infância e sobre a cultura em nossa época. Ele ainda mostra o lugar em que se recolhe para suas viagens literárias e mostra onde cria e guarda seus preciosos rascunhos.

A entrevista será exibida hoje no Uma Noite na Taverna a partir das 19:30h.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Uma Noite na Taverna com a poesia de Manoel de Barros

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No dia 16 de dezembro, a partir das 19 horas, no SESC São Gonçalo, o Uma Noite na Taverna fecha um ano que marcou história para o evento e para o movimento artístico tavernista, com uma bela homenagem a um dos poetas mais festejados da literatura brasileira da atualidade: Manoel de Barros

Os poetas Rodrigo Santos, Romulo Narducci e Pakkatto recitarão os versos do poeta matogrossense além de receberem artistas convidados entre músicos e poetas para fecharem o ano com chave de ouro.
Na poesia teremos a apresentação do excelente poeta Rodrigo Vieira que por diversas vezes se apresentou no evento (tendo feito incursões tavsrnísticas com o grupo nesse ano em eventos como a abertura do Niterói recebe a América do Sul e FLUP). Poetas como Tiago de Barros, Luizinho Lima e Rinaldo Raposo Ribeiro (que estará lançando o seu livro "Luz das Trevas") estarão recitando pela primeira vez no evento. A música ficará por conta de Magno da Gaita e Banda. Magno é músico, compositor, professor e integrante da banda Bilhete Blues e estará dando uma prévia de pré-lançamento de seu CD autoral nesta Taverna.

BIOGRAFIA - BIOGRAFIA - BIOGRAFIA



Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta.

Manoel é um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas européias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996.

Tinha um ano de idade quando o pai decidiu fundar fazenda com a família no Pantanal: construir rancho, cercar terras, amansar gado selvagem. Nequinho, como era chamado carinhosamente pelos familiares,  cresceu brincando no terreiro em frente à casa, pé no chão, entre os currais e as coisas "desimportantes" que marcariam sua obra para sempre.
"Ali o que eu tinha era ver os movimentos, a atrapalhação das formigas, caramujos, lagartixas. Era o apogeu do chão e do pequeno."

Com oito anos foi para o colégio interno em Campo Grande, e depois no Rio de Janeiro. Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira: "A frase para ele era mais importante que a verdade, mais importante que a sua própria fé. O que importava era a estética, o alcance plástico. Foi quando percebi que o poeta não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança." Um bom exemplo disso está num verso de Manoel que afirma que "a quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso." E quem pode garantir que não é? "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras." Dez anos de internato lhe ensinaram a disciplina e os clássicos a rebeldia da escrita.


Mas o sentido total de liberdade veio com "Une Saison en Enfer" de Arthur Rimbaud (1854-1871), logo que deixou o colégio. Foi quando soube que o poeta podia misturar todos os sentidos. Conheceu pessoas engajadas na política, leu Marx e entrou para a Juventude Comunista. Seu primeiro livro, aos 18 anos, não foi publicado, mas salvou-o da prisão. Havia pichado "Viva o comunismo" numa estátua, e a polícia foi buscá-lo na pensão onde morava. A dona da pensão pediu para não levar o menino, que havia até escrito um livro. O policial pediu para ver, e viu o título: "Nossa Senhora de Minha Escuridão". Deixou o menino e levou a brochura, único exemplar que o poeta perdeu para ganhar a liberdade.

Quando seu líder Luiz Carlos Prestes foi solto, depois de dez anos de prisão, Manoel esperava que ele tomasse uma atitude contra o que os jornais comunistas chamavam de "o governo assassino de Getúlio Vargas." Foi, ansioso, ouvi-lo no Largo do Machado, no Rio. E nunca mais se esqueceu:
"Quando escutei o discurso apoiando Getúlio — o mesmo Getúlio que havia entregue sua mulher, Olga Benário, aos nazistas — não agüentei. Sentei na calçada e chorei. Saí andando sem rumo, desconsolado. Rompi definitivamente com o Partido e fui para o Pantanal".

Mas a idéia de lá se fixar e se tornar fazendeiro ainda não havia se consolidado no poeta. Seu pai quis lhe arranjar um cartório, mas ele preferiu passar uns tempos na Bolívia e no Peru, "tomando pinga de milho". De lá foi direto para Nova York, onde morou um ano. Fez curso sobre cinema e sobre pintura no Museu de Arte Moderna. Pintores como Picasso, Chagall, Miró, Van Gogh, Braque reforçavam seu sentido de liberdade. Entendeu então que a arte moderna veio resgatar a diferença, permitindo que "uma árvore não seja mais apenas um retrato fiel da natureza: pode ser fustigada por vendavais ou exuberante como um sorriso de noiva" e percebeu que "os delírios são reais em Guernica, de Picasso". Sua poesia já se alimentava de imagens, de quadros e de filmes. Chaplin o encanta por sua despreocupação com a linearidade. Para Manoel, os poetas da imagem são Federico Fellini, Akira Kurosawa, Luis Buñuel ("no qual as evidências não interessam") e, entre os mais novos, o americano Jim Jarmusch. Confessava ser um "...'vedor' de cinema. Mas numa tela grande, sala escura e gente quieta do meu lado".

Voltando ao Brasil, o advogado Manoel de Barros conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e se casaram em três meses. No começo do namoro a família dela — mineira — se preocupou com aquele rapaz cabeludo que vivia com um casaco enorme trazido de Nova York e que sempre se esquecia de trazer dinheiro no bolso. Mas, naquela época, Stella já entendia a falta de senso prático do noivo poeta. Por isso, Manoel a chama de "guia de cego". Stella o desmente: "Ele sempre administrou muito bem o que recebeu." Tiveram três filhos, Pedro, João e Marta (que fez a ilustração da capa da 2a. edição do "Livro das pré-coisas") e sete netos.


Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, no Rio de Janeiro, cidade onde residiu até terminar seu curso de Direito, em 1949. Como já foi dito, mais tarde tornou-se fazendeiro e assumiu de vez o Pantanal.
Seu primeiro livro  foi publicado no Rio de Janeiro, há mais de sessenta anos, e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.
Nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".




Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor."

Segundo o escritor João Antônio, a poesia de Manoel vai além: "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro." Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." E Geraldo Carneiro afirma: "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Laço inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímido Nequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".


O poeta foi agraciado com o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro “Compêndio para uso dos pássaros”. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra “Gramática expositiva do chão” e, em 1997, o "Livro sobre nada” recebeu o  Prêmio Nestlé, de âmbito nacional. Em 1998, recebeu o Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), concedido  pelo Ministério da Cultura.

Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."



Diz que o anonimato foi "por minha culpa mesmo. Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje", contava. Costumava passar dois meses por ano no Rio de Janeiro, ocasião em que ia ao cinema, revia amigos, lia e escrevia livros.

Ri de si mesmo e das glórias que não teve. "Aliás, não tenho mais nada, dei tudo para os filhos. Não sei guiar carro, vivo de mesada, sou um dependente", falava. "Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva.  Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."

O diretor Pedro Cezar filmou "Só dez por cento é mentira", um documentário sobre a vida do poeta que foi exibido pela primeira vem em 2007. O título do filme refere-se a uma frase de Manoel de Barros:

"Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".

BIBLIOGRAFIA - BIBLIOGRAFIA - BIBLIOGRAFIA


Obras publicadas no Brasil:

1937 — Poemas concebidos sem pecado
1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1982 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas (Ilustração da capa: Martha Barros)
1989 — O guardador  das águas
1990 — Poesia quase toda
1991 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada (Ilustrações de Wega Nery)
1998 — Retrato do artista quando coisa (Ilustrações de Millôr Fernandes)
1999 — Exercícios de ser criança
2000 — Ensaios fotográficos
2001 — O fazedor de amanhecer (infantil)
2001 — Poeminhas pescados numa fala de João
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo (Ilustrações de Martha Barros)
2003 — Memórias inventadas  (A infância) (Ilustrações de Martha Barros)
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2004 — Poemas rupestres (Ilustrações de Martha Barros)
2005 — Memórias inventadas II (A segunda infância) (Ilustrações de Martha Barros)
2007 — Memórias inventadas III (A terceira infância) (Ilustrações de Martha Barros)


Prêmios recebidos:

1960 — Prêmio Orlando Dantas - Diário de Notícias, com o livro "Compêndio para uso dos pássaros"
1966 — Prêmio Nacional de poesias, com o livro "Gramática expositiva do chão"
1969 - Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, com o livro "Gramática expositiva do chão"
1989 — Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Poesia, como o livro "O guardador de águas"
1990 — Prêmio Jacaré de Prata da Secretaria de Cultura de Mato Grosso do Sul como melhor escritor do ano
1996 — Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional, com o livro "Livro das ignorãças"
1997 — Prêmio Nestlé de Poesia, com o livro "Livro sobre nada"
1998 — Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto da obra
2000 — Prêmio Odilo Costa Filho - Fundação do Livro Infanto Juvenil, com o livro "Exercício de ser criança"
2000 — Prêmio Academia Brasileira de Letras, com o livro "Exercício de ser criança"
2002 — Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria livro de ficção, com "O fazedor de amanhecer"
2005 — Prêmio APCA 2004 de melhor poesia, com o livro "Poemas rupestres"
2006 — Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira, com o livro "Poemas rupestres"

Obras publicadas no exterior:

Portugal:


2000 — Encantador de Palavras. Organização e seleção Walter Hugo Mãe. Vila Nova de Famalicão, Quasi, 2000.

França:

2003 — La Parole sans Limites. Une Didactique de lInvention [O Livro das Ignorãças]. Édition Bilingue. Tradução e apresentação Celso Libânio. Ilustração Cicero Dias. Paris: Éditions Jangada.

Espanha:

2005 - Riba del dessemblat (Antologia Poética), Ed. Catalã, Lleonard Muntaner, Editor.