quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Evento: Uma Noite na Taverna e a poesia fabulosa de Walt Whitman

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Foi uma bela noite de celebração ao um dos poetas mais influentes da literatura americana. A poesia de Walt Whitman foi celebrada pelos tavernistas e apreciada com muita atenção do público. Não compareceu o público que sempre lota as noites de Taverna, mas uma média de 80 pessoas estiveram presentes para contemplar e aplaudir a arte os poetas e os demais artistas que se apresentaram no evento.



O evento teve uma belíssima exposição de fotografia, com a temática de arte sepulcral. A fotógrafa e poeta Chrisce de Almeida, expôs pela primeira vez o seu trabalho "Cidade Extrema".







Os poetas tavernistas recitaram os poemas do homenageado da noite e falaram da importância da poesia de Walt Whitman e da sua grande influência na poesia contemporânea. Rodrigo Santos, Romulo Narducci e Pakkatto, então fizeram as honras da Taverna e como já manda a tradição de 8 anos, abriram a noite.









Após os tavernistas, o poeta Rômulo de Souza, depois de um tempo sem recitar no evento, foi ao púlpito recitar seus poemas.







Ele, o poeta-de-ferro, conhecido por muitos nos tempos em que tocava na banda Declínio de Maio como Iron, Wellington de Sousa, nos brindou novamente com sua maravilhosa presença e sua poesia docemente irônica. Artista plástico e poeta, Wellington de Sousa participa do Uma Noite na Taverna há 7 anos.





Após Wellington de Sousa os tavernistas Pakkatto e Rodrigo Santos retornaram à cena e recitaram seus poemas autorais, o poeta Romulo Narducci recitou dois dos seus poemas (Meu Peito é Um Cais e Meu peito é Um Cais II) acompanhado por um fundo musical elaborado pelo músico Murillo Peres (baixista da Expresso Lunar).



Era a hora do teatro no Uma Noite na Taverna! O evento encerrou com chave de ouro com a apresentação da esquete "O Divino Tratamento", baseada na obra A Igreja do Diabo, de Machado de Assis. Os atores Alex Dias e Susane Morais deram um espetáculo, usando diversos espaços do SESC para a interpretação da esquete.



O público foi conduzido a vários momentos até o portão principal, onde encerraram a apresentação.




E assim, estava encerrada mais uma edição do Uma Noite na Taverna! Evoé!




Fotos: Eduardo H. Martins.


Texto e publicação: Romulo Narducci.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Uma Noite na Taverna com a poesia de Walt Whitman

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É hoje! O Uma Noite na Taverna vai trazer ao público aquele que foi um dos primeiros a revolucionar a forma de se escrever poesia. Os conterrâneos o consideram o "Pai dos Versos Livres". Falamos do grande poeta norte americano Walt Whitman. Que apesar de sua importância para a poesia mundial, não é tão conhecido do grande público, pelo menos em nosso país, onde nosso povo, ou melhor, a grande massa, não tem o hábito de consumir poesia. Quem não viu o filme Sociedade dos Poetas Mortos? Bem, quem não o viu, que o veja! No filme, a poesia de Walt Whitman é o ponto principal para que o professor interpretado por Robin Willians explique para seus alunos que a poesia é sublime, não precisando seguir regras ortodoxas para ser apreciada ou escrita.


O evento de hoje à noite, além da homenagem ao poeta Walt Whitman, que será recitada pelos tavernistas, está imperdível, cheio de atrações que prometem encerraresse dia de céu azul com chave de ouro.


O poeta e artista plástico, o tavernista veterano Wellington de Sousa, irá mostrar ao público mais uma vez a sua poesia que tem uma carga de ironia perfeita. Apreciador do Romantismo, mas devoto de versos de poetas como Drummond e Ferreira Gullar, Iron, como é chamado pelos amigos ( e esse apelido não é a toa), é um talento nato da arte gonçalense.


Rômulo de Sousa é um jovem poeta que já esteve outras vezes recitando na Taverna. Jovem e talentoso, já com um livro de poesias lançado, Rômulo já participou de outros eventos na cidade de São Gonçalo e adjacências, mostrando a sua militância pela poesia.


Pela primeira vez no Uma Noite na Taverna, o poeta "coruja" Rafael Zveiter, militante do excelente evento O Corujão da Poesia, irá nos brindar com seus poemas muito bem escritos e recitados pelo poeta com a paixão que este viva a poesia no seu dia-a-dia. Ao ver o poeta Rafael Zveiter, vemos que a poesia é algo realemnte feito de alma para alma.


E como a Taverna não vive só de poesia, teremos a imperdível exposição que estám estreando hoje no evento, da fotógrafa e poeta Chrisce de Almeida, chamada "Cidade Extrema". Chrisce, que já esteve na Taverna com um trabalho de fotografias sensuais, traz agora uma belíssima exposição de fotografias de arte sepoulcral.


O evento terá ainda a apresentação da esquete teatral "O Divino Tratamento", baseada na obra de Machado de Assis "A Igreja do Diabo", com Alex Dias e Suzane Morais. Alex e Susane são atoras da antiga Cia O Quarto de Teatro, hoje chamada de Grupo Quarto das Artes.


O evento acontecerá hoje às 19 horas, com a abertura da exposição "Cidade Extrema", no varadão do SESC São Gonçalo, com entrada franca e aberta a todos os públicos.


A Poética de Walt Whitman


MUITO ALÉM DO CAPITÃO

por Romulo Narducci

Walt Whitman sem dúvidas foi um divisor de águas para a poesia. Pouco se sabe de sua vida particular, apesar de seus versos que expressam liberdade, iguadade sexual, defendeu os direitos da mulher, o fim da escravatura e o amor livre. Walt Whitman, visionário e influenciador de autores da Contracultura, foi o pioneiro a abordar sobre temas como o feminismo, sim, foi ele um dos percusores do feminismo e ainda um dos primeiros, senão o primeiro a combater em versos a homofobia.


(...)

"Eu sou o poeta da mulher

tanto quanto o do homem

e digo que tanta grandeza existe

no ser mulher

quanta no ser homem,

e digo que não há nada maior

do que ser uma mãe de homem".


Whitman considerava escrever o presente a voz ativa da libartação. Para isso, o poeta buscava escrever em estado máximo de liberdade. E sua obra "Folhas da Relva" traduz bem o élan que o poeta estabelecia com sua literatura a partir da observação de sua época, mas já vislumbrando em quebrar os paradigmas pré-concebidos por uma sociedade engedrada na hipocrisia.


Certa vez, ao se deparar com uma idéia fundamentada por outro grande poeta, John Keats que dizia: "Um poeta é a coisa mais antipoética de todas que existem no mundo, porque ele não tem identidade". Baseando-se nessa frase, Walt Whitman desenvolveu a seguinte: "O grande poeta absorve a identidade de outros, e a experiência de outros, e elas são definidas nele ou dele; mas ele as percebe todas através da pressão sobre si mesmo".


Folhas da Relva foi lançado quando Whitman ocupava, naquela ocasião, um cargo no Ministério do Interior de seu país, ao ter sua obra lida pelo ministro, este o despediu imediatamente e os livreiros pediram o recolhimento da edição modesta de 800 exemplares. O autor ainda havia dado vários livros aos homens de letras de sua época, recebendo de todos um silêncio angustiante e reprovador. Somente um, chamado Ralph Waldo Emerson, entusiasmou-se e escreveu para Walt saudando a obra: "Sei o valor maravilhoso que me deste com Folhas da Relva. É o mais extraordinário fragmento de espírito e sabedoria que a América produziu. Sou feliz ao ler seu livro, porque sua força nos torna felizes. Saúdo o começo de uma grande carreira."


Sua obra, Folhas da Relva, é um poema de transcedência e transfiguração, ao invés de levar ao novo, conduz a volta a ele mesmo, porém, apesar disso choca por ele ver nele o que habitualmente não se pode ver. Ele concebia a poesia como resultado de uma sensibilidade exposta, como uma invasão do mundo sobre o sujeito, uma integração do todo expandida ao máximo e que numa fração ao eclodir em seus versos retrai-se para dentro na introspecção observadora do exterior mundo opressor.


Walt Whitman afirma nas forças de seus versos que o universo está em ordem. Se este o faz, é porque simplesmente ele acredita que nos cabe aceitar cada coisa e cada ser como ele é, cada sentimento, cada manifestação como parte de um todo, uma coletividade.


O poeta traduziu a sua época e mesmo que pregasse o presente, foi a forma motriz que condicionou a revolução de toda uma geração futura que fez o mundo lutar pelas mudanças que este sonhou em suas Folhas da Relva.

BIOGRAFIA



Walt Whitman, descendente de ingleses e neerlandeses, nasceu em West Hills, na cidade de Huntington, no estado de Nova Iorque. Contudo, quando tinha apenas quatro anos, sua família mudou-se para Brooklyn, onde este frequentou até aos onze anos uma escola oficial, trabalhando depois como aprendiz numa tipografia.


Em 1835 trabalhou como impressor em Nova Iorque e no Verão do ano seguinte começou a ensinar em East Norwich, Long Island. Entre 1836-1838 deu aulas e de 1838 a 1839 editou o semanário Long Islander, em Huntington. Voltou ao ensino depois de participar como jornalista na campanha presidencial de Van Buren (1840-41).


Em Maio de 1841 regressou a New York, onde trabalhou novamente como impressor.


Entre 1842-1844 editou um jornal diário, Aurora, e o Evening Tatler. Regressou a Brooklyn em 1845, e durante um ano escreveu para o Long Island Star, tornando-se de seguida editor do Daily Eagle de Brooklyn, lugar que ocupou de 1846 a 1848.


Em Fevereiro desse ano partiu com o irmão Jeff para Nova Orleans, onde trabalhou no Crescent. Deixou Nova Orleans em Maio do mesmo ano, regressando a Brooklyn através do Mississippi e dos Grandes Lagos.


Editou o Freeman de Brooklyn entre 1848-1849 e no ano seguinte montou uma tipografia e uma papelaria.


No início de Julho de 1855 publicou a primeira edição de "Leaves of Grass", impressa na Rome Brothers de Brooklyn e cujos custos Whitman suportou. Os versos deste livro eram livres, longos e brancos, imitando os ritmos da fala.


A primeira edição da obra mais importante da sua carreira, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.


A obra poética de Whitman centra-se na colectânea "Leaves of Grass", dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve oito edições durante a vida do poeta.


No Verão seguinte foi publicada a segunda edição de "Leaves of Grass" (1856), ostentando na capa o nome do seu autor. O livro foi recebido com entusiasmo por alguns críticos, mas mal recebido pela maioria, o que, contudo, não impediu Whitman de continuar a trabalhar em novos poemas para aquela colectânea.


A segunda edição de "Leaves of Grass" era composta por 32 poemas, intitulados e numerados. Entre eles encontrava-se Poem of Walt Whitman, an American, o poema que haveria de se chamar "Song of Myself" (Canto de Mim Mesmo).


Entre a Primavera de 1857 e o Verão de 1859 Whitman editou o Times de Brooklyn, sendo publicada a 1860, em Boston, a terceira edição da sua obra. Contudo, a editora foi à falência em 1861 e a edição, que continha 154 poemas, foi pirateada.


Entre 1863-1864 trabalhou para o Exército em Washington, DC, servindo entretanto como voluntário em hospitais militares. Regressou a Brooklyn doente e com marcas de envelhecimento prematuro causadas pela experiência da guerra civil.


Trabalhou posteriormente como funcionário do Departamento do Interior (1865) e publicou em Maio desse ano o livro "Drum-Taps", que continha 53 poemas acerca da guerra civil e da experiência do autor nos hospitais militares. No mesmo ano foi despedido pelo Secretário James Harlan, por este ter considerado "Leaves of Grass" indecente.


Em 1867 foi publicada a quarta edição de "Leaves of Grass", com 8 novos poemas. No ano seguinte saiu em Londres uma selecção de poemas de Michael Rossetti, intitulada "Poems by Walt Whitman".


A quinta edição de "Leaves of Grass" (1870-1871) teve uma segunda tiragem que incluía "Passage to India" e mais 71 poemas, alguns dos quais inéditos.


Depois de publicar "Democratic Vistas", Whitman viajou para Hannover, New Hampshire. Corria o ano de (1872). Na Faculdade de Dartmouth leu "As a Song Bird on Pinions Free", posteriormente publicado com um prefácio. Em Janeiro de 1873, Whitman sofreu uma paralisia parcial. Pouco depois morreu a mãe e o escritor deixou Washington para se fixar em Camden, New Jersey, com o irmão George.


Em 1876 surgiu a sexta edição de "Leaves of Grass", publicada em dois volumes. Em Agosto de 1880, Whitman reviu as provas da sétima edição de "Leaves of Grass", que sob ameaças do Promotor Público teve de suspender a distribuição do livro.


A edição só foi retomada dois anos mais tarde por Rees Welsh e depois por David McKay. Incluía 20 poemas inéditos e os títulos definitivos e uma ordem dos poemas revista. Em 1882 foi ainda publicado o livro "Specimen Days and Collect".


Os últimos anos de vida de Whitman foram marcados pela pobreza, atenuada apenas pela ajuda de amigos e admiradores americanos e europeus.


Em 1884, Whitman adquiriu uma casa em Camden, New Jersey. Quatro anos depois, sofreu um novo ataque de paralisia e viu publicados 62 novos poemas sob o título "November Boughs" (1888). Ainda nesse ano foi publicado "Complete Poems and Prose of Walt Whitman".


A oitava edição de "Leaves of Grass" apareceu em 1889, e no ano seguinte o escritor começou a preparar a sua nona edição, publicada em 1892.


Whitman morreu no dia 26 de Março de 1892 e foi sepultado em Camden, New Jersey.

Cinco anos depois foi publicada em Boston a décima edição de Leaves of Grass (1897), a que se juntaram os poemas póstumos "Old Age Echoes".


Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais. Na sua obra "Leaves of Grass", Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa. Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.


Ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme Sociedade dos Poetas Mortos.


Na série No Fim do Mundo, alguns poemas de Leaves of Grass são lidos na rádio local, originando uma disputa entre o locutor e o proprietário da rádio a propósito das supostas inclinações sexuais de Whitman e da conotação sexual da obra.


Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".


"Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a idéia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa."


Extraído do Wikipédia.


Evoé, Walt Whitman!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Evento: Uma bela noite na Taverna com a poesia de Cora Coralina.

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No dia 08 de julho aconteceu a Taverna que homeneou a poeta Cora Coralina. O evento recebeu artistas da cidade de peso, que mostraram ao público com os seus talentos a força da verdadeira arte.



Os poetas tavernistas iniciaram o recital com a tradicional homenagem e recitaram belos poemas de Cora, poemas simples mas com uma força e uma expressividade muito grande. Romulo Narducci, Rodrigo Santos e Pakkatto mostraram em palavras que a poesia é realmente de alma para alma.





Após, a Taverna recebeu novamente um monstro da interpretação de nossa cidade: Reinaldo Baso! Ao lado do excelente músico Leon da Costa (da banda Quebra-telha) Reinaldo interpretou uma parte de seu espetáculo "Das Desilusões do Amor".











Mais uma noite de Taverna cheia. O público sempre tem lotado o SESC para apreciar a poesia.


Hannar Lorien foi a próxima a se apresentar. A poeta de tantas e tantas Tavernas encantou mais uma vez o público com sua belíssima poesia.





A linda e jovem poeta Larissa Mitrof optou por poemas autorais com uma carga intensa de ironia, tirando muitos risos e aplausos do público.






Encerrando a noite, o Projeto Pino Solto, que mistura Rap com guitarradas de Rock, se apresentou junto a projeções aos clipes de suas músicas autorais.


E assim, mais uma Taverna aconteceu! Evoé!


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terça-feira, 5 de julho de 2011

Uma Noite na Taverna com a poesia de Cora Coralina

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E o Uma Noite na Taverna avança na semana em que muita coisa vem acontecendo para os tavernistas. Ontem o grupo participou da reinauguração da Biblioteca Municipal de Niterói, na sexta-feira, dia 08/07, será a vez de mais uma edição do evento.

Os poetas Rodrigo Santos, Romulo Narducci e Pakkatto irão homenagear a belíssima poeta Cora Coralina, artista de origem simples e versos emocionantes.

O evento contará ainda com a presença das poetas Hannar Lorien e Larissa Mitrof, que já estiveram outras vezes recitando seus poemas autorais na Taverna. A música ficará por conta do Projeto Pino Solto, banda que funde Hip Hop e Rock numa cadência matadora com letras políticas e sociais.

De volta ao Uma Noite na Taverna teremos ainda o grande artista e militante da arte de São Gonçalo, Reinaldo Baso, acompanhado pelo músico e compositor Leon da Costa, para apresentar um trecho do seu espetáculo "Das Desilusões do Amor". A artes plásticas ficarão por conta de Jô Freitas.

DOCEIRA, POETA E TRANSCEDENTAL




Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu em Vila Boa de Goiás, 20 de agosto de 1889 — faleceu em Goiânia, 10 de abril de 1985, foi uma poetisa brasileira.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, sendo uma das primeiras construções da antiga Vila Boa de Goiás.



Começou a escrever os seus primeiros textos aos catorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Publicou nessa fase o seu primeiro conto, Tragédia na Roça.


Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Nesse Estado passou quarenta e cinco anos, vivendo inicialmente no interior, nas cidades de Avaré e Jaboticabal, e depois na capital, onde chegou em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer, algumas semanas, trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 pararam a cidade. Em 1930 presenciou Getúlio Vargas chegando à esquina da Rua Direita com a Praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.


Com a morte do marido, Cora ficou ainda com três filhos para acabar de criar. Sem se deixar abater, vendeu livros em São Paulo, mudou-se para Penápolis, no interior do Estado, onde passou a vender lingüiça caseira e banha de porco que ela mesma preparava. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.


Ao completar cinqüenta anos de idade, a poetisa sofreu uma profunda transformação em seu interior, que definiria mais tarde como a perda do medo. Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.


Durante esses anos, Cora não deixou de escrever, produzindo poemas ligados à sua história, à ligação com a cidade em que nascera e ao ambiente em que fora criada.


Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana, serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e, sua poesia atingisse um nível de qualidade literária, jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.


Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e, seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo, no qual estava inserida, e, ainda, compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto, na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela, a descoberta de como a simplicidade pode ser, o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.


Foi ao ter sua poesia conhecida por Carlos Drummond de Andrade que Ana, já conhecida pelo pseudônimo de Cora Coralina, passou a ser admirada por todo o Brasil.


Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX.


Onze anos mais tarde, em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha (Ed. Global).


Cora Coralina foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores em 1983. Dois anos mais tarde, veio a falecer.




BIBLIOGRAFIA



- Estórias da casa velha da ponte
- Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais
- Meninos verdes (Infantil)
- Meu livro de cordel
- O tesouro da casa velha
- A moeda de ouro que o pato engoliu (Infantil)
- Vintém de cobre
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Os Tavernistas e o Café Paris - Reinauguração da Biblioteca Municipal de Niterói

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Dia 05/07/2011, foi reinaugurada a Biblioteca Municipal de Niterói. O prédio ganhou novas disposições, livros novos, tecnologia de ponta, um local digno para que todos nós possamos frequentar e expadir nossos conhecimentos. Sim, um local onde podemos chamar de casa e fugir da correria do dia-a-dia, mergulhando no mundo da literatura. E tamanha honra tivemos de estarmos participando desse marco.



Quando no último Uma Noite na Taverna recebemos o convite do editor Erthal, da editora niteroiense Nitpress, de fazermos uma performance poética representando o Café Paris (roda de leitura de Niterói da década de 20), não pensamos duas vezes e aceitamos o desafio.


O texto consistia em fazermos uma rápida representação, com poesia e uma narrativa do nosso amigo Erthal, sobre o que era o Café Paris: roda de intelectuais e boêmios da cidade de Niterói, com a direção artística de Guti Fraga (do Nós do Morro), que se mostrou generoso e paciente com a trupe tavernista.

Os tavernistas Rodrigo Santos, Pakkatto, Janaína da Cunha e Romulo Narducci, caracterizados como membros do Café Paris.


A imprensa e representantes políticos como o prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira e vários secretários do governos municipal e estadual, estavam presentes. Alguns professores da rede municipal de Niterói também levaram seus alunos. Toda solenidade começou com a apresentação da performance poética Café Paris, com os poetas tavernistas.



Guti Fraga foi o mestre de cerimônias e deu as boas vindas a todos os presentes.






Os tavernistas ao lado de Erthal contaram uma breve história do que fora o importante movimento da roda de leitura Café Paris, de Niterói.

"Niterói, anos 10, 20 e 30 do século passado. No número 417 da rua Visconde do Rio Branco, em frente às barcas, funcionava o Café Paris, ponto de encontro de uma das mais importantes rodas literárias do Estado do Rio de janeiro. Das mesas do bar surgiam versos escritos em papéis de cigarros ou folhas arrancadas de cadernos. Eram sonetos satíricos, trovas irreverentes, poesias que, em geral, caracterizavam os personagens daquele tempo romântico. (...)"



"O grupo realizava rituais de iniciação nas praças e praias da cidade e, não contentes apenas em desenhar a caricatura em versos de anônimos e personagens da sociedade fluminense, viviam traçando os perfis um dos outros..."







"Se Deodoro soubesses que existias
nessa figura intensa de burguês,
certo te avassalava as dinastias
e não serias um Brasil dos reis.
(...)
E nunca mais nas mesas do Paris
num verso, enfim, de colaboração,
poderias meter o teu nariz.
E então, Brasil dos Reis ou das Rainhas
de rei tu descerias a barão
e a tua musa andava de gatinhas..."
(Lili Leitão)





"Quando o Café Paris fechava as portas, por volta de uma hora da manhã, os poetas saíam em procissão boêmia em direção ao restaurante Lido, em São Francisco, que ficava aberto até mais tarde. Era o chamado "cenáculo ambulante", que se tornaria mais tarde no Cenáculo Fluminense de História e Letras. Olavo Bastos, um dos bambas do Café Paris, iria fundar, com outros companheiros, a Academia Fluminense de Letras."





"E os boêmios de almas quase que infantis,
vão debandando na alta madrugada...
E dorme nas sombras o Café Paris."
(Benjamim Costa)


Agradecimentos: Erthal e Márcia (Nitpress), Glória (Bibioteca Municipal de Niterói), Nicolau e Guti Fraga ( http://www.nosdomorro.com.br/ )
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