quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Esquete Teatral: AVESSO

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Nessa sexta-feira, o teatro será representado no Uma Noite na Taverna por um trio que se apresenta pela primeira vez no evento. A esquete Avesso foi escrita por Vinícius Lucena, por sugestão de Thaís Santoro, e terá a atuação do próprio ator Vinícius Lucena juntamente com o seu amigo, o ator Patrick Lopes.
Avesso - Oposto, contrário.
Ao trazer esse nome pra "vida" de ALGUÉM entende-se que é algo de ''ponta à cabeça, de pernas pro ar", mas até que ponto ALGUÉM permite que as sensações controlem seu corpo? Como se tivesse vida, como se fosse concreto. Uma das sensações que mais brincam com nosso corpo, com nossas atitudes que ajudam a esconder a palavra liberdade e é esse mesmo sentimento que ALGUÉM sente. Aqui Avesso é o resultado. P.s.: ALGUÉM é o protagonista.
Vinícius Lucena

“Uma vida de desespero quieto, calado, é isso que quis trazer pra escrita e pra interpretação. Criar um personagem que brinca com características, transita entre 'ironia, furia, mágoa, sensibilidade e etc...' faz umas críticas aqui e ali à algumas figuras da sociedade de forma bem curta afinal tempo ele não tem.
A principio o nome da esquete seria 'Interno' mas eu não estava satisfeito, horas e horas e nada de descobrir um nome impactante ao mesmo grau da história e isso eu consegui graças à Thaís Santoro, minha amiga que em poucos minutos de conversa no telefone me lançou esse nome, que adorei na hora e também se interessou pra destrinchar esse personagem tão problemático e confuso. Patrick e eu fazemos aula no curso de teatro método e ator com a professora Anna Carolina, o convidei para o papel e na mesma hora ele aceitou, não poderia ter feito melhor escolha, e essa é a primeira esquete que escrevo e também atuo, essa é a minha área, onde me sinto confortável pra fazer o que eu quero, escrever, atuar, escrever e atuar!”

Thaís Santoro


"Passo horas vendo filme, escrevendo 'nem sempre mostro' e analisar são coisas que eu adoro. Ambígua, exagerada, desbocada. Cheia de opinião mutante. Acho o personagem "ALGUÉM" bizarro, gosto de atitude inovadora. Apoio o meu amigo Vinícius que tem tanto talento que não sabe por onde começar pra usufruí-lo por completo."

Patrick Lopes

"Eu, Patrick Lopes, sou ator. Faço curso de teatro há quatro anos, dança, coral e desenho, vivo no mundo da arte com interesse de me tornar um profissional.

Sobre o texto: Ser real não é fugir da realidade e sim viver a realidade, o dinheiro tomou posse e tornou a razão de vida, razão de poder mas não compra a paz verdadeira de espírito. Viver e fingir ser outro é fácil mas o difícil é terminar e ser feliz não como o personagem mas como o real.

O Natanael, meu personagem, nada mais é do que ignorância e poder ver como a vida é fria e não podemos fazer nada para ajuda-la, apenas viver.

Sobre 'ALGUÉM', uma pessoa que decide tirar a marca de sua masculinidade onde percebe-se que não conhecemos bem quem está do nosso lado 'as vezes'."

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Andréa de Azevedo e seus poemas híbridos

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A poeta Andréa de Azevedo já vem se apresentando no Uma Noite na Taverna desde o ano de 2006, quando o evento estava em sua terceira temporada e acontecia no exinto Jardim da FASG, no centro de São Gonçalo, antes de passar para o Centro Cultural Joaquim Lavoura. Carismática e de uma beleza terna, tanto em sua pessoa como em sua índole artística, Andréa que é tavernista convicta, traz em sua poesia as influências que variam do Romantismo, Simbolismo e Modernismo, num apelo em que seus versos cantam paixões e as desilusões do cotidiano.
Andréa escreveu seus primeiros versos com 13 anos para Feira do Livro na escola onde estudou. Em 2000, recitou pela primeira vez na Universidade Salgado de Oliveira sua poesia CLASSIFICADOS e ao lado do quarteto Ver o verso, fez uma participação especial, recitando com Claufe Rodrigues e Alexandra Maia.
Em 2004, ingressou no curso de Letras da Faculdade de Formação de Professores da UERJ em SG, o que possibilitou seu maior contato com a Literatura Brasileira, Portuguesa e Universal. Atualmente, é professora formada e Pós-Graduada em Leitura e Produção de Textos pela Universidade Federal Fluminense.
Frequentadora do evento, Uma Noite na Taverna, Andréa sempre procurou manter contato com diversos estilos e poetas. Por isso, pode-se dizer que sua escrita é híbrida, embora assuma um estilo mais contemporâneo.
Influências de sua escrita: Clarice Lispector, Cecília Meireles, Adélia Prado, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Cruz e Sousa, Álvares de Azevedo, Paulo Leminski e João Cabral de Melo Neto entre outros.


No dia 10 de setembro, nessa sexta-feira, Andréa de Azevedo estará de volta à Taverna com a beleza de sua poesia.

POESIA

Relicário do amor
carregas do lado esquerdo, um coração
e do lado direito,
a dor de todos os males.

Com ímpeto, se obriga
Com força, arrancas do peito
o cordão que unia a medalha,
lançando-a ao mar.

Lá do fundo, relicário é concha.
Retratos são sorrisos
imersos em águas passadas.

Do cais, a muralha empedrada
No porto, embarque e
desembarque da vida.

Ps: De nada me serve os sonetos.
É apenas uma vaidade colecionada.

***

Piegas.

Faça seu julgamento
Dê sua sentença
fique armado até os dentes
como sempre preferiu!
Ainda sim, a coragem
lhe falta para atirar
a primeira pedra.
A primeira pedra?
Não é aquela
que parou no meio
do caminho.
Com minha ajuda
soube remover
suas pedras
e aproveitar o caminho
que o conduzi.
Passaste pelo caminho,
já não há mais como voltar.
Ateou fogo com suas próprias mãos
jogando suas bingas de cigarro.
Fumaste todas cartelas possíveis,
mesmo sabendo
que aquele cheiro ia me incomodar.
Eu respirei o ar de suas camisas
empregnadas de perfume
para tapiar, respirei.
Pensei que a náusea
iria passar...
e o cheiro ainda me incomoda.
Segui o outro caminho
aquele de antes:
o breu das noites solitárias
o brejo, o coaxar dos sapos...
Respirei, o cheiro dos livros
guardados.
Permiti que as traças roessem
minhas pequenas lembranças.
Cenas de um filme
se passou.
Entre o farol e as buzinas
do carro
o olhar se perdeu.

17/02/2010 (início) 06/03/2010 (término).

***

Eu queria sim, poder matar meus fantasmas um a um.
Mas, eles ressurgem das sombras, puxam meus pés
quando apago a luz e faço da minha alma o escuro.

Eu queria sim, não confundir aquele perfume
entre tantos outros.
Vinho sorvido em goles amargos
me apego naqueles olhos tristes de menino
sem poder enxergar o modo traiçoeiro
que se esconde lá no fundo.

Meu sonho era ser inatingível.
Vestir uma armadura pesada, pra se fazer de forte.
Criar escudos para me defender do desatino,
que por dever, devo eu enterrar.

Me arrasto pra perto de cada indício que te traz...
É como uma droga, uma dependência barata ...
te fazer como algo intocável.

Voltar a fita por muitas vezes naquele beijo ...
parar o tempo em intimidades profundas,
pra depois cair a ficha que nada disso te teve
a menor importância.
Tombo mais alto esse...
te vê acenando como se embarcasse numa viagem sem volta.

Porque eu era a saída e não a solução. A medida paliativa
da terceira pessoa.

Perder o que mais prezava...perdi.
Daqui segue um olhar distante e assiste ao
descompasso de seu caminho.

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Conheça mais do trabalho da poeta:

http://desengavetados.blogspot.com/

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Uma Noite na Taverna com a poesia de T.S. Eliot

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Na sexta-feira, de 10 de setembro, a partir das 19 horas, no SESC São Gonçalo, os poetas tavernistas Pakkatto, Rodrigo Santos e Romulo Narducci, homenagearão o bardo britânico T.S. Eliot. Além da festejada e boêmia homenagem ao poeta inglês, o evento receberá os poetas convidados Fabiano Silmes (que está em processo de produção de seu primeiro livro de poesia), Andréa de Azevedo e a estreante Thaís Franco.
A música ficará a cargo do jovem cantor e compositor Leandro Tavares (ex-vocalista da banda Emotipo) que virá acompanhado de sua banda de apoio para mostrar suas novas vertentes musicais que desfilam do Pop, ao Indie Rock e MPB.
E como já tem se tornado uma tradição em nossa Taverna, não poderia deixar de faltar uma apresentação teatral! Nessa edição teremos a esquete Avesso, escrita por Vinícius Lucena por sugestão de Thaís Santoro, encenada por Vinícius Lucena e Patrick Lopes.
Vale dizer que mais uma vez, a arte será merecidamente vislumbrada e celebrada com estilo em nossa Taverna! Compareçam e tragam os amigos! Evoé!
BIOGRAFIA T.S. ELIOT
Por Ivan Junqueira
"Minha poesia não seria o que é se eu tivesse nascido na Inglaterra, e não seria o que é se eu tivesse permanecido nos Estados Unidos. É uma combinação de coisas. Mas, nas suas fontes, na sua força emocional, ela vem dos Estados Unidos."

Thomas Stearns Eliot nasceu em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, a 26 de setembro de 1888, e faleceu em Londres, com 76 anos de idade, a 4 de janeiro de 1965.

Descendentes de emigrantes ingleses que, em meados do século XVIII, se estabeleceram em Massachusetts, Nova Inglaterra, os Eliot estiveram desde sempre fundamente vinculados às tradições da Igreja Unitária, destacando-se ainda por sua intensa atividade cultural. O mais notável dentre tais antepassados foi o Rvdo. Andrew Eliot (1718-78), ministro da Igreja Congregacionalista e quase reitor da Universidade de Harvard, cargo que não assumiu por deliberação voluntária. Cerca de dois séculos transcorreram até que o primeiro dos Eliot se transferisse para o Missouri. Foi ele o Rvdo. William Greenleaf Eliot (1811-87), avô do poeta e fundador da Igreja Unitária de St. Louis, bem como da Universidade de Washington, de que se tornou depois presidente. William Greenleaf distinguiu-se ainda por seu papel na Guerra de Secessão, quando pugnou pelos ideais federativos dos Estados do Norte, e pelos diversos opúsculos didático-morais que publicou.


Henry Ware Eliot e Charlotte Chauncey Stearns, pais do poeta, casaram-se em 1868. Henry Ware diplomou-se pela Universidade de Washington, mas acabou por dedicar quase toda a sua vida aos interesses industriais da família, tendo chegado inclusive à presidência da Hydraulic Press Brick Company of St. Louis. A mãe, de rica família pertencente à aristocracia mercantil de Boston, era mulher intelectualmente dotada, possuidora de boa cultura humanística e de algum pendor literário. De sua autoria, aliás, são um estudo biográfico do sogro e um longo poema, também de caráter biográfico, sobre Savonarola. Thomas Stearns Eliot é o sétimo e último filho desse matrimônio.

Serpente de lama e fúrias ancestrais, o Rio Mississippi corre veloz rente à face leste de St. Louis, a principal cidade do Estado de Missouri e um dos maiores centros industriais do Middle East norte-americano. Aí viveu Eliot sua infância e grande parte da juventude, aprendendo os segredos e mistérios do grande rio. Ainda em St. Louis, realizou seus primeiros estudos na Academia Smith, concluindo-os em Massachusetts, na Academia Milton. Em 1906, aos 18 anos de idade, seguiu para Boston a fim de iniciar sua formação universitária em Harvard. Nesse tradicional estabelecimento de ensino superior - o mais antigo e influente dos Estados Unidos -, Eliot consagrou-se aos estudos literários e, sobretudo, filosóficos, sob a orientação de alguns ilustres mestres, entre os quais Irving Babbitt e George Santayana. Já por esse tempo era grande a sua atividade no setor das letras não só como poeta, mas também na qualidade de um dos editores da revista universitária The Harvard Advocate, onde publicou alguns trabaIhos e em cuja redação conheceu Conrad Aiken, desde então seu amigo e admirador, além de responsável pela apresentação do autor de The Waste Land ao poeta e crítico Ezra Pound, quando de uma visita que ambos fizeram a Londres em 1914.

Esse encontro com Pound teria decisiva influência na vida e na carreira literária de Eliot, para quem o poeta de The Cantos era, além de il miglior fabbro, "um crítico maravilhoso, porque não transformava a obra alheia numa imitação dele mesmo." O acesso, ainda que breve e superficial, à correspondência de Pound permite-nos concluir, aliás, o quanto foi vertical e benéfica sua intervenção em alguns dos manuscritos de Eliot, sobretudo no de The Waste Land, que constitui uma verdadeira aula de poética. Ainda que em pólo totalmente distinto, é também curioso observar - como atestam depoimentos de alguns de seus contemporâneos em Harvard, entre os quais Stuart Chase e Walter Lippmann -, que, já nessa época, Eliot se distinguia pelo fato de comportar-se como "um inglês em tudo e por tudo, a não ser pelo sotaque e pela nacionalidade". Era como se o poeta já trouxesse dentro de si as matrizes espirituais e culturais de sua futura cidadania britânica e de seu visceral anglicismo.


Após diplomar-se em letras clássicas por Harvard, em 1909, Eliot rumou a Paris, estagiando por um ano (1910-11) na Sorbonne, onde realizou os cursos de língua e literatura francesas (então sob a direção de Alain-Fournier) e de filosofia contemporânea. De volta a Harvard, retomou seus estudos filosóficos e lingüístico-filológicos, com ênfase particular em questões de literatura sânscrita e de filologia indiana, o que o ocupou de 1911 a 1913. Pouco depois, obtinha o título de doutor em filosofia, com teses sobre o pensamento do idealista inglês Francis Herbert Bradley e de A. von Meinong. Nunca, porém, chegaria a colar grau, e são dele as palavras de que suas teses apenas lograram aceitação "porque eram ilegíveis". De 1913 a 1914, ainda em Harvard, Eliot serviu como assistente do curso de filosofia e, durante o verão de 1914, esteve de visita à Alemanha. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, partiu para Londres e, depois, para Oxford, onde passou todo o inverno dedicado às pesquisas filosóficas como lector do Merton College.


O ano de 1915 marca o aparecimento do primeiro poema importante de Eliot, "The Love Song of John Alfred Prufrock", publicado na revista Poetry, de Chicago, e posteriormente incluído por Ezra Pound em sua Catholic Anthology. É também durante esse ano que o poeta se casa com Vivienne Haigh-Wood, da sociedade londrina. A seguir, exerce as funções de professor no Highgate College, pequena escola para crianças situada nos arredores de Londres, onde, segundo seu próprio depoimento, lecionou "latim, francês, matemáticas elementares, desenho, natação, geografia, história e beisebol". Abandonou o magistério para empregar-se no Lloyds Bank Ltd., de Londres, e, de 1917 a 1919, foi editor-assistente do Egoist, além de assíduo colaborador de outras publicações literárias, entre as quais The Athenaeum, então dirigido por J. Middleton Murry, e até mesmo de periódicos especializados em política e economia bancárias, como a Lloyds Bank Economic Review. Ainda em 1917 publicaria o seu primeiro volume de versos: Prufrock and other Observations. Um ano depois, devido à falta de condições físicas, Eliot viu-se desobrigado do serviço militar que teria de cumprir na Marinha dos Estados Unidos. Com isso, rompia-se mais um elo da cadeia que o mantinha ligado às exigências da vida pública norte-americana. A partir daí, estreitam-se seus vínculos com a Inglaterra, e o poeta resolve fixar residência em Londres, onde já estabelecera sólidas relações nos meios literários e editoriais.


Em 1920, um ano após a publicação de um pequeno estudo sobre Ezra Pound, his Metric and Poetry, aparece The Sacred Wood, coletânea que reúne alguns de seus melhores textos críticos da juventude, e, transcorridos dois anos do lançamento desta última, The Waste Land, obra de decisiva importância para a formação da mentalidade poética contemporânea e que o consagra como um dos expoentes da literatura de língua inglesa deste século. Outro fato de grande significação em 1922 - o mesmo ano, aliás, da publicação do Ulysses, de James Joyce - foi o aparecimento de The Criterion, revista trimestral de literatura e filosofia criada pelo poeta e que, por cerca de 17 anos, desempenhou relevante papel nos círculos artísticos e culturais europeus, somente deixando de ser editada às vésperas da Segunda Guerra Mundial, por decisão exclusiva de seu fundador. The Criterion abre a Eliot as portas dos negócios editoriais, e já em 1923 ei-lo guindado à diretoria da Faber & Faber, à frente da qual se manteve até a morte. Como editor, terá sido ele menos um homem de empresa do que um patrono das vanguardas literárias de língua inglesa, que lhe deverão para sempre o reconhecimento e o incentivo às suas pesquisas estético-formais.


Em 1927, Eliot adota finalmente a cidadania inglesa, proclamando-se no ano seguinte, através de sua famosa declaração, "an Anglo-Catholic in religion, a classicist in literature, and a royalist in politics". Após 18 anos de ausência, retorna aos Estados Unidos, a convite da Universidade de Harvard, para ministrar o ciclo de conferências "Charles Eliot Norton" (1932-33). Posteriormente, voltaria por diversas vezes a seu país de origem, ora em simples visita, ora por motivos de caráter estritamente cultural. Em 1957, dez anos depois de haver perdido a esposa, Eliot contrai novas núpcias com Valerie Fletcher, sua jovem secretária na Faber & Faber, em companhia da qual viverá os últimos anos de vida, cada vez mais recolhido à intimidade de sua pequena residência no bairro londrino de Kensington.

Entre os títulos honoríficos, diplomas, condecorações e comendas outorgados ao autor dos Four Quartets, contam-se, além dos já citados: Doutor em Filosofia pela Universidade de Cambridge, Doutor Honoris Causa pelas universidades de Princeton e de Yale, Ordem do Mérito do Império Britânico e Prêmio Nobel de Literatura, ambos em 1948, Medalha de Ouro de Dante, Cruz de Comendador das Artes e Letras, Prêmio Goethe (1954) e Medalha da Amizade dos Estados Unidos da América (1964).


A obra poética de Eliot compreende uma produção que se estende de 1909 até pouco antes de sua morte, período em que apenas ocasionalmente cultivou ele o verso e que se caracteriza por uma escassa e já esporádica atividade, da qual resultaram três coletâneas que pouco acrescentam à sua obra anterior: os Occasional Verses, incluídos nos Collected Poems 1909-1962; The Cultivation of the Christmas Trees (1954); e, fìnalmente, os Poems Written in Early Youth, cuja publicaçâo já é póstuma. Dentre os mais importantes poemas ou coletâneas poéticas do autor, figuram: "The Love Song of J. Alfred Prufrock", "Portrait of a Lady", "Preludes" e "Conversation Galante", de Prufrock and other Observations (1917) ; "Gerontion", "Sweeney Erect" e "Sweeney among the Nightingales", de Poems (1920); The Waste Land (1922); The Hollow Men (1925); Ash-Wednesday (1930); Ariel Poems e Unfinished Poems, ambos incluídos nos Collected Poems 1909-1935 (1936); The Rock (1934); e, finalmente, os Four Quartets (1943). Cumpre citar ainda as fantasias humorísticas que, em 1939, publicou Eliot sob o título de Old Possum's Book oj Practical Cats, que não integram este volume. A produção poética de T. S. Eliot foi por quatro vezes reunida: Selected Poems 1909-1925 (1925), Collected Poems 1909-1935 (1936), Collected Poems 1909-1953 (1954) e Collected Poems 1909-1962 (1963).

Biografia de Ivan Junqueira para o livro Poesia, de T.S. Eliot, traduzido do original Collected Poems 1909-1962, Editora Nova Fronteira, 1981.

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domingo, 22 de agosto de 2010

Evento: Uma noite... alucinante!

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Era sexta-feira 13 de agosto, do ano de 2010, quando o evento Uma Noite na Taverna saudou homenagens a Sociedade Epicureia. Então, após o crepúsculo, o véu da noite cálida e frio tomou conta do SESC São Gonçalo e os três poetas tavernistas trajados com vestes negras como o manto da escuridão, iniciaram o que muitos consideraram um ritual tredo, numa viagem fantástica ao desconhecido...

O dobre de sinos, o canto de animais peçonhentos e uma música sombria ecoam, os tavernistas adentram a Taverna e sobre a réplica de um crânio acendem uma vela, servem-se de vinho e ao público é entoada a oração do Pai Nosso, da obra Divina Comédia de Dante. Está começando o Uma Noite na Taverna em homenagem aos poetas da Sociedade Epicureia!


A performance macabra iniciou, e enquanto eram recitados pelos poetas Romulo Narducci, Rodrigo Santos e Pakkatto, as poesias de mestres como Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, Fagundes Varela, Lord Byron, entre outros, ao fundo uma caminhada no cemitério do Maruí era contemplada pelo público temeroso e maravilhado, numa projeção.


Textos carregados de emoção e de clima denso foram despejados com inspiração pelos poetas ao público, que não teve tempo de respirar durante 30 minutos.

Estreando como poeta residente, Pakkatto, que sempre foi uma peça importante para o tavernismo, abriu um portal para uma nova fase do evento.


O ritual poético proferido pelos 3 tavernistas começou, o vento gélido da noite haveria ainda de trazer novos uivos poéticos para que o Uma Noite na Taverna prosseguisse com o louvor que os mestres do byronismo merecem. O poeta Fagner Gabriel foi o primeiro poeta convidado da noite.



Pela primeira vez no Uma Noite na Taverna, o poeta Fagner Gabriel recitou seus belos textos embebidos do doce veneno poético da poesia romântica e da cultura do rock.



E eis que então, surge um belo anjo, suave e fatal, com uma poesia coesa demais para a sua idade de apenas 13 anos, a poeta Juliana Bittencourt, um querubim de talento precoce e surpreendente deixa o público embevecido com sua coragem e seus versos contestadores.



A pequena-grande-poeta teve o público sob o seu controle e foi muito aclamada.


O ator e escritor Sérgio Santal foi até o púlpito e falou para o público sobre o lançamento do seu livro de contos Pulhas, que era lançado naquela tenebrosa e fatídica noite.
A convite do amigo, o ator Wanderson Rosceno fez uma leitura dramatizada de um dos contos do Pulhas, de Sérgio Santal.

A noite não havia acabado, um pavor ainda iria se instalar naquela taverna. Os cânticos clamados, eivas de despertar os mortos, trouxeram do além o Mensageiro Obscuro em sua forma mais horripilante: o Fantasma!


O Mensageiro Obscuro ululou seus textos ultra-românticos com sua performance condigna com a fantástica noite tavernista de sexta-feira 13. Com essa horripilante personagem, foi a segunda vez que o Mensageiro Obscuro se apresentou no evento.

O público permanecia enfeitiçado na noite que seguia com suas belas maldições, uma edição de Uma Noite na Taverna que superou todas as expectativas, apesar de já ser ter sido há muito conjurada pelos 3 tavernistas.



A noite pareceu ter fim, o público já tinha esperanças de salvação quando uma voz, de uma mesa suscinta da Taverna ecoou: "taverneiro, traga-me um pouco de vinho!"


O público se virou se indagando de onde vinha aquela voz angelical, mas que ao mesmo tempo possuía uma arrogância descomunal. Era um nobre cavalheiro, de tez pálida que despertava um misto de curiosidade e um estranho arrepio na espinha.



Estava iniciando a esquete teatral do ator Reynaldo Dutra, Uma Noite ao Luar!



Servido de vinho pelo poeta Romulo Narducci, o estranho homem aos poucos revelava sua identidade, deixando os presentes atônitos.


E porque não, logo naquela noite, na Taverna? Era de se perguntar o porquê numa sexta-feira 13, após invocações epicureias, fantasmas, anjos e trovadores terem estado ali, porque ele não haveria de surgir?



E para o terror dos presentes ele revelou seu nome, que de tantos e tantos que a humanidade conhece e desconhece, ele se apresentou como Satã!



E com isso, a esquete Uma Noite ao Luar, do ator Reynaldo Dutra (Cia Quarto de Teatro) foi aplaudida de pé por toda a Taverna, se tornando sem dúvidas uma das mais belas apresentações teatrais de todos os sete anos de evento. No local, ainda, havia uma linda exposição do cartunista e ilustrador Adam Rabello (vejam matéria sobre o artista e seus trabalhos aqui no Manifesto Tavernista).

Um evento fantástico em todos os sentidos! Quem compareceu, se deleitou com a alta qualidade das apresentações que marcarm como uma das edições históricas do Uma Noite na Taverna. Quem não apareceu, recairá uma maldição: será assombrado eternamente de arrependimento por ter perdido essa noite fantástica. Evoé!


Fotos: Rodrigo Santos, Beatriz Peixoto, Michele de Oliveira e Pakkatto.

Agradecimentos: Ao público, Ayres e toda equipe do SESC São Gonçalo, Cia Quarto de Teatro, a todos os artistas que se apresentaram, ao vereador Marlos pela presença com sua família e a todos que mesmo não tendo comparecido, vibraram energias positivas pr o sucesso do evento. Evoé!

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Teaser do Uma Noite na Taverna - Agosto 2010

Este foi o teaser trailler do evento, lançado no dia 13 de agosto para mostrar um pouco do que esperava a todos no evento.

Fica aí como teaser da matéria sobre o evento, maravilhoso. Evoé!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Esquete: Uma Noite ao Luar, com Reynaldo Dutra (Cia Quarto de Teatro)

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Reynaldo Dutra (Cia Quarto de Teatro), ator, diretor e professor da Oficina Teatral Corpo Expressivo do SESC São Gonçalo, trará ao Uma Noite na Taverna a esquete Uma Noite ao Luar, uma adaptação sua baseada na obra Macário de Álvares de Azevedo, onde o ator interpreta o Satã.

A esquete que o ator já encenou numa peça baseada nas obras de Álvares de Azevedo como Macário e Noite na Taverna, foi remontada especialmente para o evento que homenageará os poetas da Sociedade Epicuréia.

Reynaldo Dutra tem se destacado bastante, juntamente com a Cia Quarto de Teatro (Cia que idealizou junto do ator e bailarino Anderson Hanzen) participando de vários festivais de teatro, conseguindo resultados excelentes, como prêmios de melhor ator.

O próximo trabalho a ser apresentado pela Cia Quarto de Teatro será a peça Chumbo Grosso, que faz parte do circuito A Explosão Musical dos Anos 60, no SESC São Gonçalo.

A peça Chumbo Grosso acontecerá no dia 10 de setembro, às 19 horas, no teatro do SESC São Gonçalo - Tel: (21) 2712-3282.
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MACÁRIO, de Álvares de Azevedo

De difícil classificação quanto ao gênero, oscila entre o teatro, o diário íntimo e a narrativa (composição livre, meio diálogo, meio narração), que se estabelece através do diálogo entre Satã e Penseroso, tendo por centro os vícios e desatinos da cidade grande. Macário narra a saga de um jovem que viaja à cidade a estudos e, em uma de suas paradas pelo caminho, faz amizade com um estranho que se trata de ninguém menos que o Satã em pessoa.

A cidade descrita é São Paulo, que Álvares de Azevedo não perde oportunidade para criticar. Assim, ela é habitada por mulheres, padres, soldados e estudantes - lascivas as primeiras, dissolutos os segundos, ébrios os terceiros e vadios os últimos. Isto é: a terra é devassa como uma cidade, insípida como uma vila e pobre como uma aldeia. Mesmo as calçadas não escapam à tábula rasa, pois são intransitáveis e têm pedras que parecem encastoadas - as calçadas do inferno são mil vezes melhores. Macário, talvez a obra-prima de Álvares de Azevedo, é um drama que se passa em dois episódios.

No primeiro, o jovem estudante Macário chega numa taverna para passar a noite e começa a conversar com um estranho. O estranho revela ser Satã e leva-lhe a uma cidade (possivelmente São Paulo, não fica claro, mas a referência está lá) de devassidão, povoada por prostitutas e estudantes, onde Macário tem uma alucinação envolvendo sua mãe. Macário então acorda na pensão e a atendente reclama que ele dormiu comendo. Ele acha que foi tudo um sonho, mas ambos vêem pegadas de pés de cabra queimadas no chão. No segundo episódio, passado na Itália, Macário e outros estudantes aparecem em cena, confusos, deprimidos e em busca do amor puro e virginal. Seu amigo Penseroso acaba matando-se por amor enquanto Macário está bêbado. A peça acaba com Macário sendo levado por Satã a uma orgia em um bar, algo remanescente de Noite na Taverna.

O ambiente narrado por Álvares de Azevedo é marcado por uma dubiedade de significados que talvez indiquem a estrutura profunda do drama, construído sobre a reversibilidade entre sonhado e real, vacilante terreno onde, quando pensamos estar num, estamos no outro.

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Sérgio Santal lança o seu livro de contos Pulhas na Taverna

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Sérgio Santal é um artista incansável. Ator, diretor de teatro, escritor e poeta, além de participar do excelente projeto do programa Lerê, que envolve um jornalismo descontraído sobre arte, políltica e comportamento, de muito bom gosto.
Sérgio que dirigiu a esquete da Taverna passada E Por Falar em Pierrot retorna nessa edição para lançar o seu livro de contos Pulhas.
Pulhas, segundo o próprio autor, "é um manifesto sobre a segunda morte. A pior das mortes. E pior que morrer é não ter mais esperanças. Morrer é uma opção. Os senhores leitores vão constatar. Porém, pior que a morte é o vazio, é o não poder sequer morrer. As personagens são todas conhecidas. Conhecemos ou nos deparamos com cada uma todos os dias. Às vezes mantemos até uma certa convivência; por vezes a reconhecemos numa notícia nos jornais. As reconhecemos porque somos universais em inúmeros aspectos, aliás, somos espectros do outro".
O autor conta episódios recorrentes do cotidiano, porém que deixou de ser lugar comum para denunciar que os caminhos foram percorridos, embora ao escolher cada um se tenha cometido o primeiro de uma série de erros, desencontros e novas escolhas equivocadas desencadeando a morte como um ato de vida. O que não deixa de ser uma das verdades absolutas do homem. A morte é certa e morremos todos os dias de tanto medo dela.
Este livro de contos do poeta Sérgio Santal, revela o lado obscuro do autor que essencialmente escreve para a mulher. Vamos encontrar em cada conto algo comum: o ser humano em sua eterna busca pela vida, acaba descobrindo como certa, a morte.



O livro Pulhas de Sérgio Santal estará sendo autografado pelo próprio autor no Uma Noite na Taverna dessa sexta-feira 13 de agosto, a partir das 19 horas.

http://sergiosantall.blogspot.com/

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Fagner Gabriel: Correndo na estrada para a paixão

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Fagner Gabriel é outro poeta que estréia no Uma Noite na Taverna dessa sexta-feira 13. Além de ser poeta, Fagner Gabriel é professor de Educação Física, escritor, compositor e palestrante. Lembra o poeta que sempre lia desde muito pequeno, influenciado pelos pais que sempre o presenteava com muitos livros e revistas. Começou a escrver os seus primeiros versos poéticos aos 14 anos de idade, quando tentava decifrar as letras da banda de rock Legião Urbana e as músicas dos Beatles, quando criava continuações e escrevia ensaios sobre as músicas dessas bandas.
Hoje suas influências são variadas, mimetizadas dentro de seu estilo, ele se inspira através dos versos de poetas como Paul Verlaine, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, e dos compostitores e cantores Renato Russo e John Lennon.
A primeira vez que o poeta Fagner Gabriel mostrou seus versos ao público, foi num concurso de poesia no ano 2000, em que era homenageado o poeta Carlos Drummond de Andrade, quando ficou em segundo lugar em sua categoria, sendo aclamado com a medalha de prata. Em 2007, o poeta declamou seus poemas na Semana de Letras da Universo de São Gonçalo.
POESIA
(as poesias foram removidas a pedido do autor)
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Juliana Bittencourt: Talento Precoce e Surpreendente

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Uma estréia mais do que surpreendente no Uma Noite na Taverna. Juliana Bittencourt passa a fazer parte do panteão de poetas prodígios do evento. Mas não é só isso, o evento acostumado a servir de palco de debut de talentos precoces terá a oportunidade de mostrar que a verdadeira arte não tem limites, pois essa menina que tem apenas 13 anos escreve acima da média. Um talento raro para sua idade, numa sociedade em que a banalidade toma de assalto os nossos jovens, desvirtuando-os da arte para a ignorância.
Juliana é a prova de que tudo isso pode ser diferente. Sua poesia que diz ser influenciada pelo modernista Mário Quintana, incrivelmente traça esboços de influências românticas e se enquadra maravilhosamente no que tendemos a chamar de estética tavernista. Não podemos negar que tamanha fora a nossa surpresa ao se deparar com sua idade após a leitura de seus textos, que trazem também um quê de contestação ao cotidiano e ao meio comum em que vivemos, banal e cruel. Prestem atenção nessa jovenzinha poeta, eis que mais um talento precoce irá debutar no Uma Noite na Taverna.
JULIANA BITTENCOURT Por Ela Mesma

"Meu nome é Juliana Bittencourt. Tenho treze anos e comecei a escrever aos oito anos de idade após ler um livro com poesias de Mário Quintana, que até hoje prevalece como minha inspiração artística. Tenho uma obsessão por livros, de todos os gêneros e uma mania de transformar minhas poesias em música, muitas vezes “brigando com meu violão”. Faço curso de teatro no SESC pois adoro encenar, levando em conta que como a poesia, a interpretação mostra pequenos detalhes, mesmo que sejam mínimos, sobre o que você pensa e respeita. Acredito que devido minha idade não recitei em muitos lugares, mas adquiri um pouco de experiência com alguns concursos escolares dos quais participei durante quatro anos, tendo o privilégio de receber em meu primeiro ano o prêmio de segundo melhor poema e melhor interprete do concurso. No segundo ano ganhei apenas como melhor interprete, no ano seguinte meu estilo poético mudou um pouco tendo como principal objetivo esclarecer críticas e provocar a conscientização de quem os lia, o que acredito que influenciou para que em meu terceiro ano de concurso eu recebesse os prêmios de melhor poema e melhor interprete. No quarto ano novamente fui premiada como melhor poema do concurso, mas acredito que não são troféus que fazem de mim uma poeta, aliás a poesia está muito além de premiações, para mim é uma forma de expressar meus pensamentos, e a vontade de mostrá-los que me motivou a recitar na Taverna. Desde já agradeço pela oportunidade que me concederam. Evoé!"

POESIA:

O Que Sou

Sinto um vazio em mim mesma
Perdida em um canto obscuro
Tenho medo da vida
Tenho medo do mundo

Me sinto uma estranha
Vasculhando a mesma resposta ridícula.
Tento gritar em protesto
Mas minha voz parece vencida

A noite se revolta contra minhas crenças
Grito suplicas sem saber o significado
Fantasmas me assombram trazendo lembranças
Esnobando de meu podre passado

Tantos olhos me discriminam
Por ser realmente que sou
Já não choro a batalha perdida
Não adianta, ela acabou

A as armas já não estão mais erguidas
O os navios não vão mais nos bombardear
Pois meu corpo já tão ferido
Desistiu sem ao menos lutar

Sou feita de retalhos do escuro da vida
E não conheço o livre arbítrio
Sou o que todos esperam
E um erro, para mim é um delírio

Tento rir da minha própria desgraça.
Fazer a loucura ser normal
Tento parar de escrever blasfêmias
Desligar um filme sem saber o final

As flores já estão murchando
E tudo que conheço se desfaz
Cale-te eu imploro...
Pois só quero viver em paz!

Conhecer o que de fato sou
E desculpe-me se não te espero
A vida é curta e nesse momento
Vou fazer o que acho que quero.

Homem de Lata

Numa noite serena
Encostado na sacada
úmida, fedida e molhada
Perdi o que chamava de vida

Ao encontro da morte corri
E ela, a mim esperava
Suspirava compassada e remota
Com sua foice erguida e apontada
Perguntou:
Tu és o homem de lata?

Humildemente respondi:
Não tenho alma, ou coração.
Pena ou piedade
Sou um andrógeno esquecido
O procura de sanidade
Morte, se assim quiseres
Assumo esta identidade
Homem de Lata serei
Para toda eternidade

O morte assustada com tal desespero, se calou.
Olhou-me de soslaio
E com pena de mim gargalhou...

E o que me dizes Homem de Lata
Veio me pedir um coração
Chame então Doroth, o espantalho
E se quiseres o Leão
Mas não sou como seu Deus, que prega a felicidade dos homens.
Pois da morte eu vivo, pois morte sou
Comovo-me mais com o pobre assassino
Do que a vítima que ele matou

Gargalhou fúnebre e plena
Naquela noite serena
Mas não me assustou, continuei seguro
E encarei a morte... Sim vi seus olhos
Vermelhos e tanto ódio
Dei um sorriso esnobe, que a fez estremecer
- Morte desgraçada! Não tenho medo de você!

Sei muito bem que não és Deus...
E se fosse, não lhe diria uma palavra
Não falo com me criou
Ou criou essa imunda raça
Raça, a qual temo pertencer
Mate-me eu imploro
Eu não quero mais viver

Um silencio fúnebre tomou conta da sacada
A morte sorriu
E naquele rosto podre
Pude ver a sombra de uma lágrima

Ser humano,
Humano Homem de Lata
Tu mereces a morte
E a morte te quer
Venha dormir comigo
Nobre Homem de Lata
Levar-te-ei sem cessar
Ao inferno do meu mundo
Onde esquecerá do que é vida
E dormirás em sono profundo

A morte sorriu e nada mais fez
Olhou para meu corpo imóvel a espera do fim
Esperando a cartada final, e o gosto da foice afiada
Eu sorria, e esperava a morte.

Eu...
O pobre Homem de Lata.

O Que Somos na Vida

Na vida somos todos fúteis
Cansáveis e volúveis
A qualquer finalidade

Na vida somos almas gêmeas
De Deuses e Diabos
Que nos fazem de escravos
De nossa própria fé

Somos todos putos
Que vendemos nossa podre paciência
Para simples insolências
Que me fazem acreditar
Que a humanidade está perdida
Viramos cobaias de nossa própria ciência
E é você que chama isso de vida

Somos um pedaço de nada
O nada que nos faz acreditar que somos tudo
E esse nada que nos engole
Me faz duvidar do mundo

Há anos não dou um sorriso sincero
Ou até mesmo um abraço
Eu que tanto critico a humanidade
Me acomodo neste descaso

Sou tão podre quanto o Baía de Guanabara
Poluída com meus pensamentos
Esqueci como se faz pra viver
E sobrevivo encenando momentos

Mas não ligue para o que eu digo
Beba para esquecer do mundo
Aliais beba um pouco de tudo
Se drogue ou tome veneno
Pouco me importo
É você que está vivendo.

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sábado, 7 de agosto de 2010

Matéria no Jornal O Extra: "Uma Noite na Taverna em cobertura no caderno Minha Cidade."

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Hoje, no dia 07 de agosto, uma semana antes da edição mensal do evento, saiu uma belíssima matéria no Jornal O Extra. No mês passado a jornalista Luana Soares esteve no evento cobrindo as apresentações e entrevistando os poetas tavernistas acerca dos objetivos e ideais do Uma Noite na Taverna.

A matéria foi publicada hoje no caderno MINHA CIDADE, que é distribuído para os municípios de São Gonçalo, Niterói, Maricá e Itaboraí.

Abaixo, a clipagem da matéria. Evoé!


Agradecemos a toda equipe do O Extra, em especial à jornalista Luana Soares pelo carinho e atenção dedicada ao evento.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Mensageiro Obscuro e seu mundo visionário e fantástico.

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Desde a segunda temporada do Uma Noite na Taverna o Mensageiro Obscuro vem se apresentando no evento com suas poesias fortemente influenciadas pelo ultraromantismo. Sempre com suas vestes, como um mago conduz ao público a um universo sombrio e magnífico com seus versos sempre muito bem escritos. Realmente um primor literário. Nada mais justo do que convocá-lo mais uma vez à Taverna na sexta-feira 13 de agosto, onde o evento irá homenagear a Sociedade Epicuréia.
Com a Palavra... O Mensageiro Obscuro!

Recitando pela primeira vez na Taverna, em 2005.

"Comecei a escrever oficialmente como Mensageiro Obscuro aos meus 20 anos em janeiro de 2004, assim reconstruí muito do que sou e de quem sou, todas essas transformações interiores fizeram com que eu me descobrisse um artista e investisse em mim, mesmo que tivesse que lutar contra todas as pessoas e obstáculos para meus objetivos, cada ano que passasse serviria para me aprofundar dentro do meu universo interior em constante expansão, desse universo rico em elementos é que surgem boa parte de minhas idéias em diferentes sistemas de produção das coisas que surgem dentro de mim.

Todas as fontes de inspirações servem direta ou indiretamente para aumentar meu prisma de idéias, daí surge a versatilidade da hibridez de idéias já criadas e alteradas em conjunção com minhas idéias sobrepostas. Produzo textos classificados como prosas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e um universo fantástico de RPG com sistema de jogo próprio.

Para estimular minha criatividade em cenários, narrativa, personagens e outros elementos literários sou profundamente inspirado por: aventura fantástica, realismo fantástico, ultra-romantismo e simbolismo; também abordando temas como o amor próprio, amor filosófico, onirismo, introversão, autobiografia, filosofia, ocultismo e heresia, misticismo, belicismo, ceticismo, ecologia, humor e erotismo.

Em meu espetáculo solo recito meus textos com expressividades teatrais e corporais, uso trajes estilizados e maquiagens exóticas, efeitos audiovisuais e outros detalhes, todos de minha autoria.


A criatividade do Mensageiro Obscuro (Taverna de 2005).

Utilizo como base para minha criatividade de cenários e narrativa elementos profundamente inspirados em:

01- Literatura [variados estilos de textos sobre: aventura fantástica; realismo fantástico; ultra-romantismo; decadentismo; simbolismo; insolitismo; surrealismo; modernismo e pós-modernismo; fábulas e mitologias; épico; RPGs e livros-jogos; horror e suspense psicológico, forense e fantástico; drama (tragédias, comédias, cotidiano etc.); teatrais (técnicas, estilos teatrais, tragédias, comédias, cotidiano etc.); ficção científica; cyberpunk; steampunk; revistas filosóficas, artísticas, científicas; revistas de histórias em quadrinhos (mangás, comics, manwás, novelas gráficas) etc.; fanzines de cenas culturais e dojinshi; humor; cordel etc.].

02- Outras artes [música e canto; cinema, teatro e TV; fotografia; arquitetura; desenho e pintura; escultura; ópera; artes marciais; dança; expressão corporal; arte cemiterial e tumular; artes marginais etc.].

03- Misticismo [filosofias e teorias místicas; magia teórica e prática; cabala e merkabah; terapias holísticas; yoga e meditação; heresia e oculto; alquimia; astrologia; animismo; xamanismo; paganismo e neo-paganismo; agnosticismo etc.].

04- Filosofias [pré-socrática; metafísica; epistemologia; ética; niilista; iluminista; marxista; positivista; existencialista; materialista; analítica; crítica; artística; científica; educativa; budista; taoísta; xintoísta etc.].

05- Mitologias e folclore [egípcia; mesopotâmica; indiana; indígenas latino-americanas, centro-americanas e norte-americanas; saxã e anglo-saxônica; germânica; latina; eslava; chinesa; japonesa; aborígene australiana etc.].
06- Cenas culturais [gótica; headbanger; punk; otaku; nerd; vampírica/vampyrica; steampunk; retrô etc.].

Também estou aberto a conhecer outras fontes de inspirações que criem um universo amplo para minhas obras."

Lugares onde já se apresentou

- Sarau Poesia Gonçalense na UERJ-FFP (Universidade Estadual do Rio de Janeiro - Faculdade de Formação de Professores) de São Gonçalo.

- Sarau "Uma Noite na Taverna" no SESC de São Gonçalo.

- Sarau "Diário da Poesia" no SINDSPEF (Sindicato dos Servidores Públicos Efetivados) em São Gonçalo.

- Evento de artes góticas "Plêiade Noturna" na Biblioteca Euclides da Cunha na Ilha do Governador - RJ.

- Livraria Ver&Dicto, em Niterói.


Com a sua peresonagem O Fantasma, em uma de suas últimas apresentações na Taverna, em 2009.

CONHEÇA O TRABALHO DO MENSAGEIRO OBSCURO:

http://abismo-do-obscuro.blogspot.com/

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